ESPIRITIZAR


10/05/2008


Ação da Prece. Transmissão do Pensamento

9. A prece é uma invocação; por ela um se coloca em comunicação mental com outro ser ao qual se dirige. Ela pode ter por objeto um pedido, um agradecimento ou uma glorificação. Pode-se orar por si mesmo ou por outrem, pelos vivos ou pelos mortos. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução das suas vontades; aquelas que são dirigidas aos bons Espíritos são levadas a Deus. Quando se ora a outros seres, senão a Deus, é apenas na qualidade de intermediários, intercessores, porque nada se pode fazer sem a vontade de Deus.

10. O Espiritismo faz compreeender a ação da prece explicando o modo de transmissão do pensamento, seja quando o ser chamado vem ao nosso apelo, seja quando nosso pensamento o alcança. Para se inteirar do que se passa nessa circunstância, é preciso mentalizar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no fluido universal que ocupa o espaço, como o somos, neste mundo, na atmosfera. Esse fluido recebe um impulso da vontade; é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com a direferança de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto que as do fluido universal se estendem ao infinito. Portanto, quando o pensamento é dirigido a um ser qualquer, sobre a Terra ou no espaço, de encarnado a desencarnado, ou de desencarnado a encarnado, estabelece-se uma corrente fluídica de um para o outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som.

A energia da corrente está em razão do vigor do pensamento e da vontade. Por isso, a prece é ouvida pelos Espíritos, em qualquer lugar que eles se encontrem; os Espíritos se comunicam entre si, nos transmitem suas inspirações, os intercâmbios se estabelecem à distância entre os encarnados.

Esta explicação é, sobretudo, para aqueles que não compreendem a utilidade da prece puramente mística, e não tem por objetivo materializar a prece, mas tornar seu efeito inteligível, mostrando que pode ter uma ação direta e efetiva.

11. Pela prece, o homem chama para si o concurso dos bons Espíritos, que vêm sustentá-lo nas suas boas resoluções, e inspirar-lhe bons pensamentos; adquire, assim, a força moral necessária para vencer as dificuldades e reentrar no caminho reto se dele se afastou, assim como afastar de si os males que atrai por sua própria falta. Um homem, por exemplo, vê sua saúde arruinada pelos excessos que cometeu, e arrasta, até o fim de seus dias, uma vida de sofrimentos; ele tem o direito de se lamentar, se não obtem a cura? Não, porque poderia encontrar na prece a força para resistir às tentações.

12. Se se dividissem os males da vida em duas partes, uma daquelas que o homem não pode evitar, outra das tribulações, cuja causa primeira é ele mesmo, pela sua incúria e seus excessos, ver-se-ia que esta suplanta muito em número sobre a primeira. É, pois, evidente, que o homem é o autor da maioria das suas aflições, e que delas se pouparia se agisse sempre com sabedoria e prudência.

Não é menos certo que essas misérias são o resultado das nossas infrações às leis de Deus, e que se observássamos pontualmente essas leis, seríamos perfeitamente felizes. Se não ultrapassarmos o limite do necessário na satisfação das nossas necessidades, não teremos as doenças que são conseqüência dos excessos, e as vicissitudes que essas doenças ocasionam. Se colocarmos limite à nossa ambição, não temeremos a ruína. Se não quisermos subir mais alto do que podemos, não temeremos cair. Se formos humildes, não sofreremos as decepções do orgulho humilhado. Se praticarmos a lei da caridade, não seremos nem maldizentes, nem invejosos, nem ciumentos, e evitaremos as querelas e as dissensões. Se não fizermos mal à ninguém, não temeremos as vinganças, etc.

Admitamos que o homem nada pudesse sobre os outros males; que toda prece seja supérflua para deles se preservar, já não seria muito estar livre de todos aqueles que provém de si mesmo? Ora, aqui a ação da prece se concebe facilmente, porque ela tem por efeito evocar a inspiração salutar dos bons Espíritos, de pedir-lhes a força para resistir aos maus pensamentos, cuja execução pode nos ser funesta. Nesse caso, não é o mal que afastam, mas a nós mesmos do pensamento que pode causar o mal; eles não entravam em nada os decretos de Deus, nem suspendem o curso das leis da Natureza, mas nos impedem de infringir essas leis, dirigindo nosso livre arbítrio; mas o fazem com nosso desconhecimento, de maneira oculta, para não acorrentar a nossa vontade. O homem se encontra, então, na posição daquele que solicita bons conselhos e os coloca em prática, mas que está sempre livre de seguí-los ou não. Deus quer que seja assim para que tenha a responsabilidade dos seus atos, e deixa-lhe o mérito da escolha entre o bem e o mal. Isso o homem sempre pode obter se pede com fervor, e é ao que pode, sobretudo, se aplicar estas palavras: “Pedi e obtereis.”

A eficácia da prece, mesmo reduzida a essa proporção, não teria um resultado imenso? Estava reservado ao Espiritismo nos provar sua ação pela revelação dos intercâmbios que existem entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Mas a isso não se limitam seus efeitos.

A prece é recomenda por todos os Espíritos; renunciar à prece é desconhecer a bondade de Deus, é renunciar, para si mesmo, à sua assistência, e para os outros ao bem que se lhes pode fazer.

13. Acedendo ao pedido que lhe é dirigido, Deus, freqüentemente, tem em vista recompensar a intenção, o devotamento e a fé daquele que ora, eis porque a prece do homem de bem é mais meritória aos olhos de Deus, e sempre mais eficaz, porque o homem vicioso e mau não pode orar com o fervor e a confiança que só é dado pelo sentimento da verdadeira piedade. Do coração do egoísta, daquele que ora nos lábios, não podem sair senão palavras, mas não os impulsos da caridade que dão à prece todo o seu poder. Isso é tão compreensível, que, por um movimento instintivo, a pessoa se recomenda de preferência às preces daqueles nos quais se percebe que a conduta deve ser agradável a Deus, porque são mais ouvidos.

14. Se a prece exerce uma espécie de ação magnética, poder-se-ia crer que seu efeito está subordinado à força fluídica, mas não é assim. Uma vez que os espíritos exercem essa ação sobre os homens, eles suprem, quando isso seja necessário, a insuficiência daquele que ora, seja agindo diretamente em seu nome, seja lhe dando momentaneamente uma força excepcional, quando é julgado digno desse favor, ou que a coisa possa ser útil.

O homem que se crê bastante bom para exercer uma influência salutar, não deve se abster de orar por outro, pelo pensamento de que não é digno de ser ouvido. A consicência de sua inferioridade é uma prova de humildade sempre agradável a Deus, que leva em conta a intenção caridosa que o anima. Seu fervor e sua confiança em Deus são um primeiro passo para o retorno ao bem, no qual os espíritos são felizes por encorajá-lo. A prece que é recusada é a do orgulhoso que tem fé em seu poder e em seus méritos, e crê poder se substituir à vontade do Eterno.

15. O poder da prece está no pensamento; ela não se prende nem às palavras, nem ao lugar, nem ao momento em que é feita. Pode-se, pois, orar em toda parte, a qualquer hora, sozinho ou em comum. A influência do lugar ou do tempo prende-se às circunstâncias que podem favorecer o recolhimento. A prece em comum tem uma ação mais poderosa, quando todos aqueles que oram se associam de coração a um mesmo pensamento e têm o mesmo objetivo, porque é como se todos gritassem em conjunto e em uníssono; mas o que importa estarem reunidos em grande número, se cada um age isoladamente, e por sua própria conta! Cem pessoas reunidas podem orar como egoístas, enquanto que duas, ou três, unidas em comum inspiração, orarão como verdadeiros irmãos em Deus, e sua prece terá mais força que as das outras cem.

 

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Allan Kardec - Ítem 9 à 15

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 19h01
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09/05/2008


Síndrome do Pânico na Visão Espírita

Somos formados pelo corpo físico, o espírito, e um envoltório fluídico do espírito chamado perispírito, o qual sobrevive à morte do corpo, e acompanha o espírito no mundo dos espíritos, onde ele vai ficar até sua próxima encarnação.

Nascemos com uma quantidade individual de fluido vital, o qual vai se “gastando” durante a vida, até sua extinção total que acontece no momento da morte ou desencarne (como um botijão de gás). Se acontecer um desastre traumático, ou por suicídio, o espírito vai para o astral com este resíduo de fluido vital que sobrou, já que o desencarne foi prematuro, o que acarreta grandes sofrimentos.

Cordão fluídico, é como diz o nome, um laço fluídico que “prende” o espírito ao corpo, e que deve se desfazer somente no momento do desencarne e de forma natural, para não causar sofrimentos futuros.

Regiões umbralinas são regiões do umbral, onde imperam as sombras, a dor e o sofrimento. Ali estão os espíritos rebeldes, ociosos, doentes.

Síndrome do Pânico na Visão Espírita

CONCEITO
É o aparecimento inesperado recorrente agudo de ansiedade, acompanhada por vários sintomas mentais e somáticos.
Pânico vem do deus grego Pan que aterrorizava os camponeses com seus chifres e pés de equinos.
A etiologia ainda hoje é desconhecida.

SINTOMAS

Os pacientes que apresentam a síndrome do pânico padecem de intenso sofrimento, pois seus sintomas são pavorosos, angustiantes, limitantes, tais como: palpitações, sudoreses, tremores, dispnéia (falta de ar), náuseas, sensação de atordoamento, despersonalização, medo de estar enlouquecendo, sensação de estar morrendo. Tem como sintomas mentais centrais, o medo extremo com sensaçâo de morte e a destruição eminente no abandono.

TRATAMENTO

Os antidepressivos são imprescindíveis na fase aguda do tratamento; os ansiolíticos, em especial o Alprazolan, são muito úteis.
A associação dos psicofármacos com a psicoterapia dão melhores resultados.

CORRELAÇÃO MÉDICO-ESPÍRITA

Mortes Traumáticas - (Desencarnes difíceis)
O corpo físico, por instinto de defesa, tenta reter o Espírito nos momentos finais da desencarnação.
O apego à vida material e a seus gozos efêmeros também dificultam o desencarne.
O medo da morte pela crença em inferno, demônios (fantasias religiosas), temor ao desconhecido, culpas várias, são outros fortes empecilhos ao desencarne.
O contato com os agentes da putrefação da natureza, pelo fenômeno da psicometria, causa grande sofrimento ao desencarnante que fica retido no corpo físico.
O caráter, as posturas diante da vida, a falta de religiosidade são fatores determinantes no desprendimento espiritual. As condições acima mencionadas, agravadas com uma ruptura abrupta do cordao fluidico, abastecido de fluido vital, tende a levar o Espírito desencarnante a uma situaçao de morto vivo”; preso ao mundo físico pelo corpo em decomposição, adentrando ao Mundo Espiritual sobrecarregado de fluido vital, estranho àquele mundo.
Assim, podemos entender que o momento do nascimento e da morte são importantes para o Espírito, como a primeira e últimas impressões.
Nas mortes prematuras traumáticas (acidentes - suicídios), um jovem com grande reserva de fluido vital pode levar a fortes impressões vibratórias do duplo etérico para o corpo astral, formando nele um clichê mental vigoroso do momento do desencarne.

MORTE E DESTRUIÇÃO

Na reencarnação seguinte a barreira biologica do corpo fisico, não é suficiente, em algumas pessoas (por lei do Carma), deixando passar flashs dos últimos momentos da vida anterior.
Essa distonia vibratória tenderia a reaparecer, guardando identidade cronológica entre as reencarnações. Os flashs sensibilizariam os neurônios sensitivos do diencéfalo (psicocinéticos) e estes desencadeariam os sintomas via neurotransmissores.
As torturas sofridas durante longos períodos, nas regiões umbralinas, poderiam criar núcleos de pavor no Perispírito que, desaguando no cérebro físico na reencarnação seguinte, facultariam o aparecimento das fobias ou síndrome do pânico.
Para finalizar, não poderíamos esquecer das obsessões espirituais voluntárias ou não, que atormentariam os médiuns pela aproximação de entidades espirituais em grande sofrimento, refletindo neles seus estados de desequilíbrios.

Jaider Rodrigues de Paulo*

*Médico fomado pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Pós-graduação em Psiquiatria. Cursos na área de Administração Hospitalar e Serviços de Saúde.

Do livro Saúde e Espiritismo AME – Associação Médico-Espírita do Brasil

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 18h35
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08/05/2008


A cada um segundo as suas obras

5. O homem compõe-se de corpo e Espírito: o Espírito é o ser principal, racional, inteligente; o corpo é o invólucro material que reveste o Espírito temporariamente, para preenchimento da sua missão na Terra e execução do trabalho necessário ao seu adiantamento. O corpo, usado, destrói-se e o Espírito sobrevive à sua destruição. Privado do Espírito, o corpo é apenas matéria inerte, qual instrumento privado da mola real de função; sem o corpo, o Espírito é

tudo: a vida, a inteligência. Em deixando o corpo, torna ao  mundo espiritual, onde paira, para depois reencarnar.

Existem, portanto, dois mundos: o corporal, composto de Espíritos encarnados; e o espiritual, formado dos Espíritos desencarnados. Os seres do mundo corporal, devido mesmo à materialidade do seu envoltório, estão ligados à  Terra ou a qualquer globo; o mundo espiritual ostenta-se  por toda parte, em redor de nós como no Espaço, sem limite algum designado. Em razão mesmo da natureza fluídica do seu envoltório, os seres que o compõem, em lugar de se  locomoverem penosamente sobre o solo, transpõem as distâncias  com a rapidez do pensamento. A morte do corpo não é mais que a ruptura dos laços que os retinham cativos.

6. Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas dotados  de aptidões para tudo conhecerem e para progredirem, em virtude do seu livre-arbítrio. Pelo progresso adquirem

novos conhecimentos, novas faculdades, novas percepções e, conseguintemente, novos gozos desconhecidos dos Espíritos inferiores; eles vêem, ouvem, sentem e compreendem o que os Espíritos atrasados não podem ver, sentir, ouvir ou compreender.

A felicidade está na razão direta do progresso realizado, de sorte que, de dois Espíritos, um pode não ser tão feliz quanto outro, unicamente por não possuir o mesmo adiantamento

intelectual e moral, sem que por isso precisem estar, cada qual, em lugar distinto. Ainda que juntos, pode um estar em trevas, enquanto que tudo resplandece para o outro, tal como um cego e um vidente que se dão as mãos: este percebe a luz da qual aquele não recebe a mínima impressão.

Sendo a felicidade dos Espíritos inerente às suas qualidades, haurem-na eles em toda parte em que se encontram, seja à superfície da Terra, no meio dos encarnados, ou no Espaço.

Uma comparação vulgar fará compreender melhor esta situação. Se se encontrarem em um concerto dois homens, um, bom músico, de ouvido educado, e outro, desconhecedor da música, de sentido auditivo pouco delicado, o primeiro experimentará sensação de felicidade, enquanto o segundo  permanecerá insensível, porque um compreende e percebe o que nenhuma impressão produz no outro. Assim sucede quanto a todos os gozos dos Espíritos, que estão na razão da sua sensibilidade.

O mundo espiritual tem esplendores por toda parte, harmonias e sensações que os Espíritos inferiores, submetidos à influência da matéria, não entrevêem sequer, e que somente são acessíveis aos Espíritos purificados.

7. O progresso nos Espíritos é o fruto do próprio trabalho;  mas, como são livres, trabalham no seu adiantamento com maior ou menor atividade, com mais ou menos negligência,

segundo sua vontade, acelerando ou retardando o progresso e, por conseguinte, a própria felicidade.

Enquanto uns avançam rapidamente, entorpecem-se outros, quais poltrões, nas fileiras inferiores. São eles, pois, os próprios autores da sua situação, feliz ou desgraçada,

conforme esta frase do Cristo: — A cada um segundo as suas obras.

Todo Espírito que se atrasa não pode queixar-se senão de si mesmo, assim como o que se adianta tem o mérito exclusivo do seu esforço, dando por isso maior apreço à felicidade conquistada.

A suprema felicidade só é compartilhada pelos Espíritos perfeitos, ou, por outra, pelos puros Espíritos, que não a conseguem senão depois de haverem progredido em inteligência

e moralidade.

O progresso intelectual e o progresso moral raramente marcham juntos, mas o que o Espírito não consegue em dado tempo, alcança em outro, de modo que os dois progressos acabam por atingir o mesmo nível.

Eis por que se vêem muitas vezes homens inteligentes e instruídos pouco adiantados moralmente, e vice-versa.

 

Livro  O   Céu e o Inferno – Allan Kardec

 

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Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 23h42
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07/05/2008


O Despertar do Espírito

O processo de despertamento varia de acordo com as condições morais do espírito envolvido

A perturbação do espírito após a desencarnação varia segundo o caráter dos indivíduos (de acordo com às condições morais do espírito envolvido).

O Espírito que se identificou como Georges ditou mensagem com o mesmo título que utilizamos na presente abordagem.  Kardec a publicou no exemplar de outubro de 1860, da Revista Espírita*. Trata-se de assunto sempre atual: o despertar no mundo espiritual após o fenômeno biológico da morte do corpo físico. A abordagem é bem interessante – pois que traduz o caso pessoal do autor –, razão pela qual transcrevemos parcialmente aos leitores:

“Quando o homem deixa seu despojo mortal, ele sente um espanto e um ofuscamento que o mantêm algum tempo indeciso sobre seu estado real; não sabe se está morto ou vivo, e as suas sensações, muito confusas, precisam longo tempo para clarearem. Pouco a pouco, os olhos de seu Espírito são ofuscados pelas diversas claridades que o cercam; segue toda uma ordem de coisas, grandes e desconhecidas, que primeiro tem dificuldade em compreender, mas logo reconhece que não é mais do que um ser impalpável e imaterial; procura seus despojos e se espanta de não mais encontrá-lo**; é algum tempo antes de que lhe retorne a memória do passado, e o convença de sua identidade. Olhando a Terra que vem de deixar, vê os seus parentes e os seus amigos que o choram, e o seu corpo inerte**. Enfim, seus olhos se desligam da terra e se elevam para o céu; se a vontade de Deus não o retém no solo, ele se eleva lentamente e sente-se flutuar no espaço, o que é uma sensação deliciosa. Então a lembrança da vida que deixa lhe aparece com uma clareza, desoladora mais freqüentemente, mas consoladora algumas vezes. Eu te falo aqui do que senti, eu não sou um mau Espírito, mas não tenho a felicidade de ocupar uma classe elevada. A gente se despoja de todos os preconceitos terrestres; a verdade aparece em toda a sua luz; nada dissimula as faltas, nada esconde as virtudes; vê a sua alma tão claramente como num espelho; (...) Nenhum dos laços que contraímos sobre a Terra é quebrado; as nossas simpatias se restabelecerão na ordem em que elas existiram, mais ou menos vivas segundo o grau de calor ou de intimidade que elas tiveram.”

O texto mostra a coerência do ensino espírita. Não há saltos na natureza humana. O processo de despertamento após a desencarnação varia ao infinito, pois que diretamente condicionado às condições morais do espírito envolvido. Allan Kardec destinou, em O Livro dos Espíritos, as questões 163 a 165 para tratar exclusivamente da perturbação (sempre variável de indivíduo para indivíduo) que sucede ao momento da desencarnação. O estudo do assunto é muito importante, considerando que é estado para o qual a maioria dos encarnados está submetida, já que o grau de intensidade e durabilidade varia de espírito para espírito. O Codificador, inclusive, destinou amplo comentário após a resposta da questão 165, do qual  destacamos:

a) “ (...) Essa perturbação apresenta circunstâncias particulares, segundo o caráter dos indivíduos e, sobretudo, de acordo com o gênero de morte (...)”; b) “(...) A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem; é calma e em tudo semelhante à que acompanha um despertar tranqüilo. Para os que não têm a consciência pura, ela é cheia de ansiedade e de angústias, que aumentam à medida que ela se reconhece (...)” O assunto não deixa de ser empolgante para permuta de impressões, estudos e abordagens, face à diversidade do caráter humano, à multiplicidade do gênero de morte, à influência exercida pelo conhecimento espírita – inclusive dos familiares e conhecidos –, e naturalmente das perspectivas e desdobramentos, para o espírito, já no plano espiritual. A magna questão, todavia, é a grandeza deste outro princípio da Doutrina Espírita: a imortalidade da alma. Apesar do período variável de perturbação, inclusive indicado pelos próprios espíritos, ela – a perturbação – é a ante-sala das glórias da imortalidade, que permite prosseguir o progresso e o reencontro com seres amados que seguiram antes...

*edição IDE, tradução de Salvador Gentile

**Nota da Redação: Sugerimos consulta ao texto integral dos comentários de Allan Kardec à resposta da questão 165 de O Livro dos Espíritos, para entendimento de que não houve contradição no depoimento transcrito quanto ao fato de ora dizer que não encontra o corpo físico e depois o vê inerte. Leve-se em conta o período de perturbação que se segue à desencarnação, objeto de estudo das questões 163 a 165 do citado livro.

Artigo publicado originariamente no jornal O Clarim, de julho de 2006.

Autor: Orson Peter Carrara

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Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 17h27
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06/05/2008


O que é e o que não é o Espiritismo

PROMESSAS DE CURAS: Qualquer lugar que prometa a cura de problemas espirituais ou materiais, sem levar em consideração os fatores já citados, não é um local espírita. Condicionar uma cura à freqüência exclusiva naquele ambiente, ao pagamento de dinheiro ou bens materiais, ou mesmo à "força da casa" não tem base no Espiritismo e foge do bom senso que regula as leis de Deus. Estas, não podem ser modificadas de acordo com nossa vontade. Por isso, prometer algo que não depende apenas de nós mesmos é irresponsabilidade e pode levar a pessoa desesperada ao desequilíbrio total ou à descrença em Deus.

PASSES SIMPLES: O Passe é um método utilizado dentro dos centros espíritas. Nada mais é do que a simples imposição das mãos de médiuns sobre a pessoa, transmitindo-lhe fluidos magnéticos e espirituais (energias positivas do próprio médium e de bons Espíritos), no intuito de fortalecer-lhe o corpo e a parte espiritual. Tem duração em média de 30 segundos a 01 minuto. Geralmente, é aplicado dentro de salas específicas, após a palestra, individual ou coletivamente, com o público sentado e o passista de pé. Apenas são feitas orações, em pensamento, pelos médiuns, rogando o amparo de Jesus para aqueles que estão recebendo os fluidos. Os passistas não ficam incorporados pelos Espíritos, apenas recebem sua influência mental e fluídica.
IMPORTANTE: nunca há necessidade de o passista tocar a pessoa que recebe o passe. Toques, apertos, carícias têm grandes possibilidades de serem mal interpretados, gerando confusões, e por isso são dispensados no centro espírita.

PASSES COM MOVIMENTOS: Locais em que os passes São aplicados com movimentos bruscos, utilizando objetos, baforadas de cigarro ou charuto, estalando-se os dedos, repetindo mantras e cânticos, tocando várias partes do corpo do receptor não são centros espíritas. Passistas que transmitem os passes incorporados por entidades, fazendo orientações ou conversando normalmente, não são médiuns espíritas.

TODO O SERVIÇO ESPIRITUAL É GRATUITO:

Ensinou JESUS:
 “DAI DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBESTES"

Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XXVI - Item 1 :::
Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expeli os demônios; dai de graça o que de graça recebestes.
(MATEUS: 10-8)


O verdadeiro centro espírita não cobra nenhuma orientação ou ajuda espiritual de seus visitantes, nem condiciona o recebimento de curas ou salvação às doações. Dar de graça o que de graça receber, ensinou Jesus, em alusão aos conhecimentos espirituais. Não aceita dinheiro por serviços prestados mediunicamente. Seus dirigentes e trabalhadores têm profissões próprias, que lhes dão o sustento financeiro necessário para suas vidas. Quem sustenta materialmente a casa espírita são seus trabalhadores, através de doações mensais, destinadas ao pagamento de aluguer, manutenção, divulgação doutrinária e aquisição de alimentos, roupas e demais objetos a serem distribuídos às famílias carentes ou instituições filantrópicas que sejam assistidas pelo grupo. Caso algum freqüentador da casa queira doar algo ao núcleo, é preferível que a doação seja feita em gêneros alimentícios, roupas, materiais de construção e afins, que poderão ser destinados aos carentes ou mesmo utilizados na manutenção da casa. Se houver por algum motivo uma doação em dinheiro, o centro espírita deverá fornecer um recibo ao doador e inscrever esta doação no balanço mensal do grupo.

COBRANÇA PELA AJUDA ESPIRITUAL: Todo local que cobra dinheiro, favores ou exige qualquer coisa ou favor material devido à ajuda espiritual prestada, não é um centro espírita. A cobrança financeira é própria de pessoas que vivem da exploração da crença alheia, contrariando os ensinos de Jesus. Há seitas que pedem dinheiro aos seus assistidos afirmando que será usado para efeito de trabalhos espirituais, como a compra de velas, comida, roupas e coisas do gênero. Isso não é Espiritismo. Espíritos que se prestam a fazer serviços espirituais em troca de coisas materiais são entidades atrasadas, que nada de bom podem trazer aos que os procuram.
Não podemos comprar a paz de espírito e tranqüilidade que buscamos, é isto que prega a Doutrina Espírita. Se não for esta a orientação do local, com certeza não é um ambiente espírita.

FONTE ::: CVDEE (Casa Espírita Virtual)

 

continuação de ontem

 

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 19h22
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05/05/2008


O que é e o que não é o Espiritismo

Existe uma confusão muito grande a respeito do que é ou não é Doutrina Espírita ou Espiritismo. Isto porque há pessoas que não sabem que a palavra “espírita” e "espiritismo" foram criadas em 1857, na França, pelo codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec. Somente deveriam utilizar-se destes termos os locais religiosos ou pessoas que seguissem os postulados desta Doutrina.
Assim, cultos e religiões que de alguma forma têm nas suas práticas a comunicação de Espíritos e a crença na reencarnação são confundidas erroneamente com o Espiritismo.
Na verdade, embora mereçam todo o respeito dos espíritas verdadeiros, estas seitas são adeptas do espiritualismo ou esoterismo, e não do Espiritismo.
Todos aqueles que acreditam na existência do Espírito são espiritualistas. Mas nem todos os espiritualistas são espíritas, praticantes do Espiritismo.
Para que uma casa religiosa seja espírita, ela deve seguir os ensinamentos contidos nas
Obras Básicas da Doutrina Espírita e no Evangelho de Jesus.
Geralmente, os LOCAIS ESPÍRITAS recebem o nome de: Centro, Grupo, Casa, Sociedade, Instituição ou Núcleo Espírita. Deve ser legalmente constituído, de acordo com as leis vigentes no país em que está instalado. Mesmo ostentando este nome, quem os visita necessita estar atento para quais as atividades e as formas como as mesmas são praticadas por seus dirigentes e auxiliares.
Visando ajudar àqueles que não conhecem o Espiritismo, mostraremos abaixo o que se encontra e o que não deve ser encontrado numa casa espírita verdadeira.

PALESTRAS: Todo centro espírita tem o seu momento de esclarecimento doutrinário. As exposições geralmente são sobre a Codificação espírita e o Evangelho de Jesus, numa ligação direta com o nosso quotidiano. Não há nenhum ritual antes dos trabalhos, a não ser uma prece evocando a proteção de Jesus e dos bons Espíritos. Em algumas oportunidades, antes ou no final das palestras, alguns grupos fazem a apresentação de corais musicais, quase sempre formados por grupos de jovens. Porém, este tipo de procedimento não é aconselhável, sendo indicado que seja praticado em datas e horários diferentes dos trabalhos espirituais e de esclarecimento público, exatamente para se evitar confusões e mal entendidos.

EXPLANAÇÕES E ORAÇÕES AO SOM DE MÚSICAS, BATUQUES, ATABAQUES: O Espiritismo não utiliza instrumentos musicais para exortar os assistentes ou evocar Espíritos. Não há o uso de qualquer instrumento durante os trabalhos.

TRAJES NORMAIS: Os trabalhadores de uma casa espírita trajam-se normalmente, de forma simples. A discrição deve fazer parte dos que trabalham no local, pois ali estão para auxiliar as pessoas que buscam orientação.

TRAJES ESPECIAIS: O Espiritismo não tem roupas especiais para os dias de trabalhos ou mesmo no dia a dia, nem Enfeites, amuletos, colares, vestimentas com cores que significariam o bem (branca) ou o mal (negra, vermelha). Nada disto tem fundamento para o espírita nem no Espiritismo.

INEXISTÊNCIA DE RITUAIS, AMULETOS E IMAGENS: O verdadeiro centro espírita não pratica em suas atividades nenhum tipo de ritual. A Doutrina Espírita segue o que o Mestre Jesus ensinou: que Deus é Espírito, e deve ser adorado em espírito e verdade. Portanto, sem a necessidade de nada material para contatarmos com a espiritualidade.

PRESENÇA DE RITUAIS COMO: Ajoelhar-se frente a algo ou alguém, beijar a mão ou louvar os responsáveis pela casa, benzer-se, sentar-se no chão ou ficar levantando e sentando durante os trabalhos, proferir determinadas palavras (mantras) para evocar os Espíritos.
Nas sedes dos verdadeiros centros espíritas não são encontradas imagens de santos ou personalidades do movimento espírita, amuletos de sorte, figuras que afastam ou atraem maus Espíritos, incensos, velas e tudo o mais que seja material e que teoricamente serviria de ligação com o mundo espiritual. Isto não é Espiritismo.
ANIMAIS PARA SACRIFÍCIO: O local que possui este tipo de prática ou decoração não é espírita. O Espiritismo é contrário a qualquer tipo de sacrifício animal. Espíritos que pedem este tipo de atividade são Espíritos atrasados, ignorantes da Lei de Deus e muitas vezes maléficos, que podem prejudicar a vida de quem dá ouvidos aos seus baixos desejos.

COMUNICAÇÃO PARTICULAR COM OS ESPÍRITOS: Os grupos espíritas têm reuniões específicas e íntimas para que os trabalhadores da casa, aptos e preparados durante longos estudos para tal, possam comunicar-se com os Espíritos. E através deles, obter informações do mundo espiritual, orientações e mesmo ajudar no afastamento de perturbações espirituais que porventura estejam prejudicando alguém. Todo este cuidado baseia-se na orientação dos próprios Espíritos superiores, responsáveis pela elaboração do Espiritismo. Tendo atenção ao alerta de João, o Evangelista, que em sua 1ª Epístola, capítulo IV, versículo 1, diz: "Amados, não creiais em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus".
Agindo assim, o centro espírita evita o máximo possível a influência de Espíritos zombeteiros e maldosos, que muitas vezes vêem neste contacto com os encarnados a oportunidade de tecer comentários mentirosos e doutrinas esdrúxulas. A seriedade de reuniões fechadas os intimida, favorecendo a presença dos Espíritos esclarecidos.

COMUNICAÇÃO DE ESPÍRITOS EM PÚBLICO: A Doutrina Espírita é contrária a este tipo de manifestação, cercada geralmente de curiosidades e interesses materiais, ao invés do bom senso que deve permear toda comunicação espiritual. Há locais em que os médiuns recebem seus "guias" ou "Espíritos protetores", teoricamente responsáveis pelo funcionamento da casa e orientam os consulentes sobre qualquer tipo de dúvida. Muitas vezes, as respostas dadas por este tipo de Espírito não têm base científica ou doutrinária alguma, seguindo apenas seu próprio conhecimento, que pode ser limitado. Em vários destes lugares em que há a manifestação pública, as entidades espirituais são servidas de fumo, bebida, comida, ingerida pelo médium incorporado. Com isso, mostram a limitação destes Espíritos, ainda muito apegados aos vícios e prazeres materiais.

DESENVOLVIMENTO CAUTELOSO DA MEDIUNIDADE: A Doutrina Espírita explica que TODO O SER VIVO TEM MEDIUNIDADE, pois é através dela que os encarnados recebem influências boas e más do mundo espiritual, que servirão de ajuda ou aprendizado no decorrer de suas existências terrenas. São chamados de médiuns aqueles capazes de proporcionar a manifestação dos espíritos de forma ostensiva. O Espiritismo adverte que para poder ampliar esta ligação com o mundo espiritual, é necessário que o médium passe por uma série de preparativos. Anos de estudo, maturidade, modificação moral constante, vida regrada, abstendo-se dos vícios mais grosseiros, como o fumo e a bebida, são algumas das regras básicas para que o indivíduo possa vir a desenvolver sua mediunidade, e estão contidas em "O Livro dos Médiuns”. Os centros espíritas verdadeiros não aconselham a pessoa a trabalhar mediunicamente sem antes passar por este período e preparação citados. Muito menos diz que alguém "precisa" desenvolver a mediunidade. Ninguém é obrigado a nada, afirma a Doutrina. Todos têm seu livre arbítrio, e mesmo que o ser tenha um canal mediúnico amplo, próprio para o desenvolvimento da mediunidade, e não quiser desenvolvê-lo, não há problema. Tudo o que é forçado é prejudicial ao homem.

DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO FORÇADO: Se ao chegar em um ambiente espiritualista lhe afirmarem que sua mediunidade "precisa" ser desenvolvida, caso contrário você sofrerá as conseqüências materiais e espirituais; sua vida será um transtorno; que os Espíritos estão chamando para o trabalho; que esta é a sua missão; com certeza este
não é um local que segue a Doutrina Espírita. Há seitas e religiões afro-brasileiras que obrigam a pessoa a desenvolver-se mediunicamente e depois as ameaçam com terríveis problemas futuros se elas deixarem de "trabalhar". Isto gera angústia, medo e desespero nos envolvidos, que geralmente acabam vítimas de graves obsessões (influência maléfica persistente de um Espírito atrasado sobre outro ser). Cuidado! Isto não é Espiritismo

NÃO HÁ PROMESSAS DE CURAS: O verdadeiro centro espírita não promete a cura para quem o procura. A Doutrina afirma que a cura de uma influência espiritual ou doença material depende de uma série de fatores, entre os quais a modificação moral do enfermo, sua necessidade, seus problemas relacionados com encarnações anteriores e acima de tudo, se há ou não a permissão de Deus para que haja a solução da dificuldade. Muitas vezes, o sofrimento é um período necessário para o ser refletir sobre sua existência, e o único que sabe quando é a hora disso terminar é o Criador. O que o centro espírita faz é um pronto-socorro aos necessitados de amparo e esclarecimento, é de todas as formas possíveis (orações, tratamentos espirituais, passes, orientações morais e materiais) tenta minimizar o sofrimento alheio, rogando a Jesus que se o Pai permitir, que interceda junto ao indivíduo.

continua amanhã

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 17h07
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04/05/2008


Os Fenômenos de Hydesville. As Irmãs Fox e o ano de 1.848

Os fenômenos de Hydesville, ocorridos na casa da família Fox, abriram caminho para o advento do Espiritismo.

Em 11 de Dezembro de 1847, John Fox, pertencente à igreja Metodista, mudou-se para uma pequena casa de madeira no lugarejo de Hydesville, situada cerca de vinte milhas de Rochester, cidade do condado de Wayne, estado de Nova York.

John era fazendeiro e com sua família, que se compunha, além da esposa Margareth Fox, de mais três filhas: Katherine, ou Katie ou Kate de onze anos; Margareth, de quatorze, e, Leah, que residia em Rochester, onde lecionava música.

No ano seguinte, isto é, em 1848, mais exatamente na noite de 28 de março, as meninas começaram a ouvir estranhos ruídos e arranhões nas paredes, que se foram intensificando, cada vez mais ao ponto da família Fox não ter mais sossego dentro de casa. Esses "raps" , como foram denominados mais tarde, começaram a ser notados, com mais freqüência. Com o decorrer dos dias, os fenômenos começaram a se tornar mais complexos: os objetos se deslocavam, tudo se mexia e estremecia, haviam explosões de sons fortes. As meninas diante de tanto barulho, ficaram tão alarmadas que não queriam mais dormir sozinhas.

Nas três noites seguidas, até 31 de março de 1.848, os fenômenos se repetiram intensamente, impedindo que os Fox conciliassem o sono. John Fox deu buscas completas pelo interior e pelo exterior da casa, mas nada encontrou que explicasse as ocorrências.

Finalmente, na noite de 31 de Março de 1848, houve uma saraivada de sons muito altos e continuados. Kate Fox, na sua inocência de criança, desafiou a força invisível para que repetisse os estalos de seus dedos, no que foi imitada. Kate, batendo com os dedos sobre um móvel, exclamava, em direção ao ponto onde os ruídos eram mais constantes: "Vamos Old Splitfood, faça o que eu faço". Prontamente as pancadas do "desconhecido" se fizeram ouvir, em igual número, e paravam quando a menina também parava.

Margareth brincando disse: " Agora faça o mesmo que eu: conte um, dois, três, quatro, e ao mesmo tempo dava pequenas pancadas com os dedos. Foi-lhe plenamente satisfeito esse pedido, deixando a todos estupefatos e com muito medo".

As meninas supunham tratar-se do demônio, porisso que o chamavam de "Mr. Splitfood", ou Sr. pé fendido , que corresponde a "pé de bode".

Depois sua mãe, que acompanhava o episódio, teve a idéia de fazer algumas perguntas; pediu que fosse indicado, por meios de pancadas, a idade de suas filhas. As resposta, corretas, não tardaram. E depois de um diálogo entre sons e golpes, estava assim estabelecida a telegrafia espiritual, naquela memorável noite de 31 de Março de 1848.

Naquela mesma noite, desejando que o fenômeno fosse testemunhado por outras pessoas, a família Fox chamou alguns vizinhos, que também fizeram perguntas e receberam respostas, por meio das batidas.

Esses acontecimentos se tornaram conhecidos de toda a localidade.

Um Sr. Chamado Mr. Deusler, idealizou um alfabeto, para poderem traduzir as pancadas e compreenderem o que dizia o batedor invisível, sendo que então ele contou a sua história:

Chamava-se Charles B. Rosma; fora um vendedor ambulante e, hospedado naquela casa, cinco anos antes, pelo casal Bell, foi ali assassinado; A finalidade do crime, foi para roubar as mercadorias e o dinheiro que trazia, e que o seu corpo fora sepultado no porão.

Em busca no local indicado, lá encontraram tábuas, alcatrão, cal, cabelos, utensílios, mas não o esqueleto.

Uma criada dos Bells, chamada Lucrécia Pulver, declara que viu o vendedor e o descreve; diz que ele chegara à casa e comenta do seu misterioso desaparecimento. Uma vez, descendo à adega, seu pé enterrou-se num buraco e, como dissesse isso ao patrão, ele explicou que deviam ser ratos e foi, apressadamente, fazer os necessários reparos. Ela vira nas mãos dos patrões objetos da caixa do ambulante.

Arthur Conan Doyle, no seu Livro "História do Espiritismo", relata que 56 anos depois foi descoberto que alguém fora enterrado na adega da casa dos Fox. Ao ruir uma parede, crianças que pôr ali brincavam, descobriram um esqueleto. Os Bells, para maior segurança, haviam emparedado o corpo, na adega, aonde inicialmente o haviam enterrado.

Em 23 de novembro de 1.904, o "Boston Journal" noticiava que o esqueleto do homem que possivelmente produziu as batidas, ouvidas inicialmente pelas irmãs Fox, em 1.848, fora encontrado e as mesmas estavam, portanto, eximidas de qualquer dúvida com respeito à sinceridade delas na descoberta da comunicação dos Espíritos.

Diversas comissões se formaram na época dos acontecimentos com a finalidade de estudar os estranhos fenômenos e desmascarar a fraude atribuída às Fox. Verificou-se que eles ocorriam na presença das meninas; atribuiu-se-lhes o poder da mediunidade. Nenhuma comissão, todavia, conseguiu demonstrar que se tratava de fraude. Os fatos eram absolutamente verídicos embora tivessem submetido as meninas aos mais rigorosos e severos exames, atingindo, as vezes, as raias da brutalidade.

As irmãs Fox foram pressionadas. A Igreja as excomungou como pactuantes com o demônio. Foram acusadas de embusteiras, e ameaçadas fisicamente diversas vezes.

Em 1.888, ao comemorar os 40 anos dos fenômenos de Hydesville, Margareth Fox, iludida pôr promessas de favores pecuniários pelo Cardeal Maning, faz publicar uma reportagem no "New York Herald" em que afirma que os fenômenos que realizaram eram fraudulentos. Todavia, no anos seguinte, arrependida, reúne grande público no salão de música de New York e retrata-se de suas declarações anteriores, não só afirmando que os fenômenos de Hydesville eram reais, como provocando ainda uma série de fenômenos de efeitos físicos no salão repleto.

A retratação foi publicada na época. Consta da Light e do jornal americano, New York Press, de 20 de maio de 1.889.

http://sef.feparana.com.br/apost/unid5.htm

 

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 16h38
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