O Caráter da Revelação Espírita:
"Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e Ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: O Espírito Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê e nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito (João Cap. XIV, vv. 15 à 17 e 26).
O Espiritismo vem na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside o seu advento o Espírito de Verdade que vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias, levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa a todas as dores.
À idéia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade à idéia. Define os laços que une a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte.
A Lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação. A do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espiritismo é a Terceira Revelação Divina, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto dado não por um homem, mas sim pelos Espíritos, que são as vozes do alto para todos os pontos da Terra.
O caráter essencial de toda a revelação Divina é o da Eterna Verdade.
O que caracteriza a Revelação Espírita é ser Divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo, no entanto, a sua elaboração, fruto do trabalho do homem.
Assim, diferentemente das outras duas revelações, não se constitui em ensino de cunho pessoal, nem se restringiu a um local ou a um povo, mas sim surgiu simultaneamente em milhares de pontos deferentes, que se tornaram centros ou focos de irradiação.
AS OBRAS BÁSICAS:
O Livro dos Espíritos – 1.857:
Primeira obra da Codificação Kardequiana. Primeira edição em Paris, em 18 de abril de 1.857.
A Introdução é composta por 27 parágrafos, onde Allan Kardec explica a obra, esclarece alguns termos novos, comenta as dificuldades das primeiras comunicações, no que se refere à psicografia, comenta e justifica as objeções lançadas sobre a obra; mas é o capítulo VI, que mais nos chama a atenção, pois em 36 parágrafos, é traçado um Resumo da Doutrina dos Espíritos.
Na seqüência temos os Prolegômenos, que seria a exposição preliminar dos princípios gerais de uma ciência ou doutrina.
Os Espíritos desenharam uma Cepa e mandaram que se colocasse no cabeçalho do livro e ela representa o emblema do trabalho do Criador.
o corpo é a cepa;
a alma, ou seja o Espírito encarnado, ou o Espírito ligado à matéria, seria a fruta, a uva;
o Espírito seria o licor.
O homem aperfeiçoa o Espírito pelo trabalho e somente mediante o trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos.
Adentrando-se, propriamente no corpo da obra, encontramo-la dividida em quatro partes:
Primeira Parte – Das Causas Primárias – subdividida em quatro capítulos: Deus; Dos
Elementos gerais do Universo; Da Criação; Do Princípio vital.
Segunda Parte – Do Mundo Espírita ou Do Mundo dos Espíritos – subdividida em onze capítulos: Dos Espíritos; Da Encarnação dos Espíritos; Da volta do Espírito à Vida Espiritual; Da Pluralidade das Existências; Considerações sobre a Pluralidade das Existências; Da Vida Espírita; Da Volta do Espírito à Vida Corporal; Da Emancipação da Alma; Da Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal; Das Ocupações e Missões dos Espíritos e Dos Três Reinos.
Terceira Parte – Das Leis Morais – subdividida em 12 capítulos: Da Lei Divina ou Natural; Da Lei de Adoração; Da Lei do Trabalho; Da Lei de Reprodução; Da Lei de Conservação; Da Lei de Destruição; DA Lei de Sociedade; Da Lei do Progresso; Da Lei de Igualdade; Da Lei de Liberdade; Da Lei de Justiça de Amor e Caridade e Da Perfeição Moral.
Quarta Parte – Das Esperanças e Cosolações – subdividida em dois capítulos: Das Penas e Gozos terrenos; Das Penas e Gozos Futuros.
O Livro dos Médiuns – 1.861:
Primeira edição em Paris, em janeiro de 1.861.
O Livro dos Médiuns no seu fronstispício, apresenta o subtítulo: "Guia dos Médiuns e dos Evocadores" e resume o seu conteúdo assim: Ensino especial dos Espíritos sobre a Teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo, constituindo o seguimento de O Livro dos Espiritos.
Esses temas acham-se expostos através das seguintes partes: Parte Primeira – Noções Preliminares; Parte Segunda – Das Manifestações Espíritas.
O Evangelho Segundo o Espiritismo– 1.864:
Primeira edição em paris, em abril de 1.864.
Traz em sua folha de rosto, a síntese de seu conteúdo que é: "A explicação das máximas do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida".
O seu estudo se desdobra em uma Introdução e vinte e seis capítulos.
O Céu e o Inferno – 1.865:
Primeira edição, em Paris, em 1.868.
Tem como subtítulo "A justiça Divina Segundo o Espiritismo".
Contém, segundo o resumo constante em sua folha de rosto a seguinte menção: "Exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e os demônios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte.
Sua matéria desdobra-se da seguinte forma: Parte Primeira – Doutrina, com onze capítulos; Parte Segunda – Exemplos, com oito capítulos.
A Gênese – 1.868:
Primeira edição em Paris, em janeiro de 1.868.
Traz no respectivo frontispício o título completo: "A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo".
Essa obra se divide nas seguintes partes: Introdução; A Gênese, com doze capítulos; Os Milagres, com três capítulos e as Predições, também com três capítulos.
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