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A História da Dra. Maria G.

Pediram-me para contar, rapidamente, a minha experiên­cia. É bom que assim seja, pois ando sensível e é doloroso recordar. Mas vou vestir uma capa de frieza e contar a minha história como se minha não fosse.

Meu nome é Maria G. e mais uma porção de sobrenomes. Estou deste lado da vida há mais de vinte anos e fui, aqui mesmo em São Paulo, anestesiologista de um grande hospital e de algum renome. Filha de tradicional família pernambucana, não tive uma infância feliz. Meus pais, embora cultivassem a imagem polida em sociedade, tinham vida doméstica calamitosa, na qual sequer faltavam as brigas corporais, o terror da minha meninice. Então, quando minha irmã mais velha, casada, mudou-se para São Paulo, vim com ela. Aqui chegada, coloquei um cadeado na porta das lembranças e parti para criar um futuro cheio de beleza e harmonia. Assim pensava eu.

Formei-me em Medicina, mais fascinada pelo título de Dra e pelas caprichadas roupas brancas, de excelente qualidade, que eu colecionava no guarda-roupa. Logo tinha meu próprio apartamento, imaculadamente decorado em branco, cheio de requintes diversos, desde a lataria de importados, que era a minha dieta, até os enfeites mais caros, tapetes e cristais. Fora do hospital, era o cabeleireiro, os tratamentos de pele, as aca­demias. O corpo era o meu referencial. Dediquei a ele todas as minhas energias. Penteá-lo, hidratá-lo, perfumá-lo, cobri-lo com as roupas mais bem cortadas, era todo o meu encanto. Tão dedicada a mim mesma, não me casei. Tinha horror às deformi­dades da gravidez, ao ranço da vida conjugal. Queria que tudo à minha volta fosse perfeito.

Andava sempre de carro. Achava que não havia nada pior que facear o mendigo, o feridento, a criança abandonada em ple­na calçada. Não no meu mundo, pensava. Lá tudo era brilhante, branco e belo. A dor, eu trancara em Recife, aonde nunca quis voltar, nem para o enterro dos meus pais. Vivia para me distrair. Viagens e excursões sempre na primeira classe. Cultivava o bom viver e tinha uma alegria estudada para todas as horas. Ler qual­quer coisa fora dos técnicos de medicina me dava sono imediato. Não gostava de amizades íntimas e não entregava o meu coração a ninguém. Acho que apliquei a mim própria uma poderosa anes­tesia, pois assim vivi contente até os cinqüenta e sete anos quando um Tumor de Wilms, de rápida e terrível malignidade, me despe­jou fora do corpo, ainda jovem e belo (no meu conceito).

Lembro-me confusamente do velório. Colegas e profissio­nais diversos do nosso hospital me rodeavam, silenciosos e compungidos, maquiada, aparentemente serena e imóvel no caixão. Mas eu estava ali! Integralmente identificada com o corpo inerme. Acompanhei tudo e horas depois estava sentada sobre o próprio túmulo, do qual não consegui me afastar, como se o corpo sob o solo fosse um ímã gigantesco e poderoso a prender-me. Não registrava as vozes dos espíritos amigos que tentavam me libertar e, atônita, recusava-me a crer que tudo aquilo não fosse um pesadelo do qual despertaria logo, sobre o leito coberto de cetim do meu apê. Não era pesadelo.

Fiquei oito anos sem arredar dali. Sentia sede, frio e fome, mas não podia deixar o meu corpo. Ele era tudo o que eu tinha! Dizem-me aqui para adverti-los sobre a importância de se abrir espaço às coisas da alma. De não inverter as prioridades como eu fiz. Cuidar do corpo sim, porque ele nos possibilita evoluir e embelezar a alma, que é imortal. Sei bem que nosso mundo, colorido de shopping centers e alacridade inconsciente, é uma anestesia e que pode nos fazer dormir até por cinqüenta e sete anos seguidos, como foi o meu caso. Mas se valem de algo as palavras da Dra Maria G., de sobrenome não importante de­pois do atestado de óbito, ela vos dirá com veemência: cuidem da alma, meus amigos!

Maria G. (espírito)




Escrito por Jeanne às 16h57
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RELACIONAMENTO: ENCARNADOS / DESENCARNADOS

Pelo que nos informam os Espíritos, o relacionamento entre os encarnados e desencarnados durante o sono é maior do que imaginamos. Como retemos na memória pouquíssima coisa daquilo que ouvimos ou presenciamos pelo sonho, deixamos de avaliar a extensão dos acontecimentos e das informações que recebemos e transmitimos.

Muita coisa acontece nesses encontros noturnos, em que matamos as saudades dos entes queridos que vivem na outra dimensão da vida, sejam eles parentes ou amigos, desta ou de outras jornadas terrenas, embora não os conheçamos na condição física em que se apresentam, porque se mostram com vestimentas físicas utilizadas em outras reencarnações, com as quais tivemos um bom convívio, mas das quais nosso cérebro não possui registro, daí estranharmos que ao nos acordar não os reconheçamos. Mas também encontramos pessoas que nos causam antipatia e até repulsa, porque ainda não aprendemos a perdoar e tentar uma reconciliação.

André Luis nos fala da alegria e tristeza que sentimos ao acordar, devido a esses encontros durante o sono, ocasiões em que prometemos cumprir determinados compromissos, seguir certas diretrizes ou executar determinadas tarefas. Realmente coisas grandiosas ou desastrosas acontecem resultantes desses reencontros periódicos, nos desdobramentos inconscientes, denominados sonhos.

Sucedem-se casos inusitados, como aquele relatado por André Luiz (Libertação, Cap. VI) em que duas senhoras ( uma encarnada e outra desencarnada) estavam conversando sobre planos de vingança que a desencarnada pretendia executar por intermédio da amiga encarnada, que a ouvia e que se achava como que fascinada pela obsessora, aceitando como sensatos os motivos que a obsessora apresentava, para levar a adiante o terrível plano. Diz André Luiz que são milhões de casos que acontecem diariamente, devido a esses encontros durante o sono, em que 75% da população de um dos hemisférios da Terra visitam os seus afins do plano espiritual.

Um outro caso muito significativo é o da moça pobre que seu pretendente não dispunha de recursos para casar-se, por não ter um emprego firme e bem remunerado, e que o instrutor de André Luiz pretendendo colaborar na reencarnação de um inimigo da citada moça, por seu intermédio, durante o sono falou com a jovem sobre a importância de reconciliação através da aceitação de seu desafeto como filho. A moça concordava com essa aproximação, mas alegava que seria impossível devido às dificuldades financeiras. O instrutor prometeu que esse obstáculo seria removido, pois o desejado emprego seria conseguido.

Kardec nos afirma que influenciamos e somos influenciados, muito mais do que supomos. Nesses reencontros entre os encarnados e desencarnados, seja aqui mesmo na crosta ou nos planos espirituais, tudo pode acontecer, seja com amigos ou inimigos.

Grande parte da população espiritual vive aqui conosco, preocupada com os nossos problemas ou procurando nos prejudicar, seja por vingança ou inveja. E quando cai o manto negro da noite e os encarnados, pelo sono, entram em contanto com os seus amigos ou inimigos, as coisas mais incríveis podem acontecer: pessoas amadas que se reencontram; amigos que se confraternizam; acordos que se estabelecem; compromissos que se assumem; paixões desvairadas que explodem; inimigos que brigam entre si; etc. Realmente, é um entrechocar de sentimentos variadíssimos, resultando fatos extraordinários.

Dizem os Espíritos que muitos missionários concordam em aceitar determinadas missões, porque contam com esses encontros noturnos, não só para receber orientações, mas também encorajamento. Pelo sono eles visitam os seus amigos e mentores espirituais, com os quais adquirem forças e estímulo para prosseguir em sua tarefa do bem.

Esta é mais uma forma com que Deus, na sua infinita sabedoria e amor, assiste os seus filhos em sua caminhada em busca da perfeição.

 

http://br.geocities.com/espiritismoo

/TEXTOSESPIRITAS/encarnadosdesencarnados.htm

 



Escrito por Jeanne às 23h16
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DEUS, ESPÍRITO E MATÉRIA

1. Que é Deus?

"Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas."

4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

"Em um axioma que aplica às vossas ciências. Não há efeito sem  causa. Procure a causa de tudo o que não é obra do homem e sua razão responderá."

Para crer-se em Deus, basta que se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Du­vidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

17. É dado ao homem conhecer o princípio das coisas?

"Não, Deus não permite que ao homem tudo seja revelado neste mundo."

18. Penetrará o homem um dia no mistério das coisas que lhe estão ocultas?

"O véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se depura; mas, para compreender certas coisas, são-lhe precisas faculda­des que ainda não possui."

21. A matéria existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por ele em dado momento?

"Só Deus o sabe. Há uma coisa, todavia, que a razão vos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo. Por mais distante que logreis figurar o início de sua ação, podereis concebê-lo ocioso, um momento que seja?"

23. Que é o espírito?

"O princípio inteligente do Universo."

a) Qual a natureza íntima do espírito?

"Não é fácil analisar o espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretan­to, é alguma coisa. Fique sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe."

24. É o espírito sinônimo de inteligência?

"A inteligência é um atributo essencial do espírito. Uma e outro, porém, se confundem em um princípio comum, de sorte que, para vós, são a mesma coisa."

886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

"Benevolência para com todos, indulgência para as imper­feições dos outros, perdão das ofensas."

O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus:

Amai-vos uns aos outros como irmãos. A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos acha­mos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nos­sos iguais ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque de indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costu­ma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e defer­ências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente entende que não precisa se preocupar com ela. No entanto, quanto mais lasti­mosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verda­deiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa.

 

EM TRANSIÇÃO

Todo mundo está em processo de transformação. Nada está parado. Enquanto choras e te afliges por problema que te parece insolúvel, o sol nasce a cada dia, sementes brotam, crianças vêm ao mundo, velhos morrem. Cada dia novas células revestem  seu corpo enquanto as velhas caem ao solo e a pele jovem que cobriu teu rosto na infância imperceptivelmente acumula ­as rugas da experiência. Procura lembrar do problema que afligiu há um mês, um ano, dez anos. É difícil de lembrar porque agora já nada significa.

Não fique assim tão preocupado. Confia em Deus e na ação do tempo. Busca ouvir a cada um, cuidando rever sempre as próprias idéias. Não se agarre a posições estanques. Não se fir­me em propósitos que já lhe revelaram suas fraquezas. Fique aberto a mudanças. Ore e se coloque atento para ouvir a res­posta à sua prece. Faça as coisas com cuidado para ser feliz sem invadir a seara alheia.

A felicidade não é uma receita de bolo. É uma percepção que eventualmente temos do amor de Deus. Que essa percepção seja cada dia mais permanente em nossas vidas.

(Autor Anônimo)

 

Texto extraído do livro Sentimentos & Conflitos –Contos mediúnicos ditados pelos espíritos Léon Tostoi, Carl e outros – psicografado por Grace Khawali

 

Amigos, vou passear no fim de semana, portanto só volto a atualizar o blog na segunda.

Que o fim de semana de vocês seja maravilhoso!



Escrito por Jeanne às 16h10
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A CRISE DA MORTE

Miss Aimée Earle é médium psicográfica e clarividente. Certo dia, em que estava a ouvir um trecho de música, que sua amiga Florence Dismore tocava ao piano, teve a primeira visão de um moço moreno. No dia seguinte, estando as duas amigas a ler e comentar uma brochura espiritualista, viu Miss Earle aparecer-lhe ao lado o mesmo fantasma e entabular conversação com ela. Miss Florence Dismore descreve da maneira seguinte esse primeiro encontro:

Começou ele por interrogá-la acerca das afirmações contidas na brochura que as duas moças se entretinham a ler e a cujo propósito ponderou: Mas, eu não estou morto, pois que estou aqui! - O Espírito-guia de Miss Earle, que, vigilante, também se lhe achava ao lado, conservando-se invisível para o outro Espírito, aconselhou ao médium que não respondesse às perguntas deste último e continuasse a ler o seu livro. Ela obedeceu e, terminada a leitura, o moço moreno foi conduzido algures, por seus guias espirituais.

Em resumo: os Espiritos-guias o tinham trazido à presença dos dois médiuns, ao que parece, para lograrem convencê-lo de que morrera e se achava no mundo espiritual. Começavam assim a sua redenção que, dotado como ele era de aptidões especiais, devia operar-se, narrando a sua história por aqueles médiuns, a título de edificação moral e espiritual, em proveito dos vivos. Ele não tardou, com efeito, a se manifestar psicograficamente por Miss Earle, comunicando-lhe que tinha a missão de lhe ditar a história de sua vida, o que entrou logo a fazer. Miss Earle, cujos dias eram tomadas pelas suas ocupações profissionais, reconheceu não dispor do tempo necessário para receber o ditado metódico de uma exposição completa. Por isso, depois do recebimento das três primeiras mensagens, decidiu, de acordo com o Espírito que se comunicava, que este continuaria a ditar a sua história a Miss Florence Dismore. Foi o que se deu, até que a exposição se concluiu.

Essa obra traz o título: The Progression ot Marmaduke. O Espírito relata nela a sua história mundana, as circunstâncias de sua morte, os remorsos que o assaltaram depois do seu trespasse, a generosa intervenção de um amigo morto, que ele, quando vivo, ofendera profundamente, e as conseqüências felizes do seu arrependimento, que lhe abrira o caminho da redenção.

Se bem esse Espírito se demore pouco a tratar da crise da morte, contudo, não tendo à minha disposição outros casos do mesmo gênero, decido-me a reproduzir o pouco que ele diz a respeito. Eis como principia a sua mensagem, ditada a Miss A. Earle:

Que de coisas a desaprender em a nova existência! O quantas! quantas! Mas, como há de uma criatura fazer para se redimir? É tarde demais para mim. Entretanto, tenho ao meu derredor Espíritos generosos, que me animam, abrindo-me o coração à esperança de que um dia também para mim se realizarão a visão espiritual e a audição das harmonias celestes. Em todo caso, já não me sinto egoísta e experimento viva simpatia pelos outros. Aplicaram-me o tratamento que me convinha: enérgico, mas necessário...

Estando eu vivo, um segundo bastou para me dar à morte. Achava-me deitado na falda de uma encosta rochosa. Um bloco se destacou lá do alto e me esmagou a cabeça, tornando-me irreconhecível o semblante. Reconheceram-me unicamente pelos papéis que levava na minha carteira.

Isso foi obra de um instante. Vi-me, de um golpe, mergulhado nas mais profundas trevas. Procurei, tateando, caminhar através da obscuridade. Nenhuma luz via; ao redor, mortal silencio: era uma situação terrificante. Parecia-me, às vezes, divisar ao longe uma claridade e perceber sons musicais. Que significavam eles? Sentia que ia enlouquecer e lutava contra o desconhecido como um homem às voltas com o vácuo. Afinal, esgotado, cal ao chão, numa crise espantosa e indescritível de depressão moral. Maldizia de Deus e do gênero humano. Queria morrer e não podia!... Achei-me, em seguida, não sei como, junto à encosta rochosa,. onde se achava estendido o meu corpo e o vi! Tratei de o levantar, de o ressuscitar, mas tive que me afastar, repelido pelo fedor que se desprendia dele. Achava-me num estranho e incoerente estado da alma: não podia compreender onde me encontrava, nem o que se passara. Veio-me a idéia de que ficara louco; depois do que, fui presa de horrendo pesadelo, do qual precisava livrar-me o mais prontamente possível. A idéia, porém, de que estava morto jamais me acudiu ao Espírito.

Ignoro durante quanto tempo errei por entre aqueles rochedos. Mas, um dia, finalmente, a minha loucura chegou a uma fase inesperada: achei-me num meio familiar, do qual participava, embora sem conhecer as pessoas que via. Como quer que seja, estava lá e de lá não me podia ir. Da primeira vez, ouvi música tocada ao piano. Da segunda, ouvi a feitura de um livro e as conversas que se lhe seguiram e que me deram a saber que as duas senhoras que ali estavam tinham conhecimento não só da minha presença, como do meu caráter.

Tratava-se da circunstância, mencionada acima, em que os guias do moço moreno, que ele, aliás, não percebia, o conduziram para junto dos médiuns.

Escutei atentamente e aprendi que aquelas duas damas acreditavam que o homem possui um Espírito, que sobrevive à morte do corpo. Pensei: Que absurdo! - Mas, de repente, alguém me esclareceu o Espírito, transmitindo-me a verdade, quanto ao que me dizia respeito: Eu então estava morto! mas, nesse caso, onde me achava? Que fora feito de mim? - Desde que me convenci de estar morto, as coisas mudaram. Vi-me cercado de Espíritos que pareciam desejosos de me assistirem... Não podeis fazer idéia do que significava para mim essa mudança. Disse: Estou confuso e desorientado. Julgava-me louco, mas estou morto! - Responderam-me: Morto unicamente para o mundo da matéria, da visão física, da audição física; mais vivo, porém, do que nunca para o mundo espiritual, com uma visão e uma audição espirituais. Tu te encontras em outro mundo de existências: eis tudo. Também nós tivemos que passar pelas nossas crises, antes de nos acomodarmos ao nosso mundo. Desde que te hajas inteirado das condições em que te encontras, começarás a progredir para a redenção...

Com grande surpresa minha, fui informado de que essa assembléia de Espíritos se reunira para vir em meu auxilio e que isso se dava por efeito de solicitações de um de meus amigos de outros tempos. Quão longe estava eu de imaginar quem era esse amigo generoso. Disseram-me que me cumpria entrar de novo, por algum tempo, no meio horrível donde me haviam tirado; mas, que um raio de luz ia penetrar nas trevas que me cercavam, porquanto, desde que um raio de luz penetra numa alma, não mais se apaga: esse raio de luz tinha que brilhar para mim como a estrela da esperança, que afinal me faz guiar para sair das trevas e caminhar para a luz.

Pouco depois, achei-me no mesmo meio que antes, mas uma pálida luz brilhava a meu lado e se tornou a minha estrela polar. Quando a contemplava, possuído de um desejo vivo, mais intenso se lhe tornava a luminosidade. Mostrava-se, ora à minha direita, ora à minha esquerda, porém nunca se apagava. Não me seria possível calcular o tempo que passei nessas trevas, atenuadas por um raio de esperança...

Hesito agora em prosseguir a narrativa dos acontecimentos por que passou minha alma. A magnanimidade de um outro - absolutamente digno de Jesus de Nazaré - precipita meu Espírito no abismo dos remorsos. A minha iniqüidade se ergue diante de mim, como fantasma perseguidor, a me proclamar o mais miserável dos pecadores. Entretanto, devo continuar, pois que a minha narração tem que dar uma pálida idéia do poder do Amor no meio espiritual. Não existe mais que uma só lei: o Amor, que é Perdão; o Perdão, que é Amor. Enfim, vou dar-me pressa em me confessar. Perdoai-me, se puderdes. Quanto a mim, não o posso. Sinto-me desfalecer. Aquele que me soube perdoar é o mais sublime dos homens, porém a sua generosidade me despedaça o coração e a iniqüidade da minha falta se levanta, monstruosa, diante de mim. O amigo que trai quando vivo, que abandonei ao seu destino, que reduzi a ser um proscrito da sociedade, foi quem reuniu esse grupo de Espíritos para me assistir!... Vi que esses mesmos Espíritos abriam passagem a um outro Espírito que se dirigia para mim, a sorrir. Olhei-o atentamente. Era ele! Ambrósio! O amigo que eu trais! Estendeu-me o braço. Ocultei, envergonhado, o rosto no seu peito, para mais saturado me sentir de seus pensamentos de perdão e piedade... Paro! paro! Basta por hoje...

Interrompo aqui, por minha vez, as citações, a fim de não sair do tema que me propus.

Conforme no-lo ensina o caso acima, que concorda com os outros do mesmo gênero, os sofrimentos expiatórios, que atingiriam os réprobos, seriam, principalmente, de natureza moral; consistiriam, primeiramente, em toda sorte de saudades e de desejos insatisfeitos e impossíveis de terem satisfação; depois, em toda sorte de remorsos dilacerantes. Parece igualmente que, quando para um Espírito de réprobo começa a crise dos remorsos, tem ele dado o seu primeiro passo no caminho da redenção. Desta crise, longa por vezes e terrível, não poderia, com efeito, quem quer que seja, poupar o Espírito, visto que, somente passando por ela, chega o seu corpo etéreo - ao que nos ensinam os Espíritos - a expungir-se dos fluidos impuros, de que se maculou e carregou, fluidos impuros que sobre ele se acumularam, em conseqüência da repercussão vibratória que sobre o seu organismo muito delicado exerceu o seu proceder ignóbil ou indigno, no curso da existência terrestre. E, do mesmo modo que esses fluidos impuros havia fatalmente - por virtude da lei de afinidade - obrigado a Espírito a gravitar para as regiões infernais, também, em conseqüência da purificação operada pela crise dos remorsos, seu corpo etéreo, tornado mais leve, se elevaria e gravitaria, sempre de acordo com a lei de afinidade - para a esfera espiritual imediatamente superior.

Quanto aos Espíritos de réprobos endurecidos no mal, incapazes de sentir remorsos, permaneceriam na região infernal, imersos em trevas mais ou menos profundas, às vezes na solidão, muitas vezes em companhia de outros Espíritos da mesma categoria, até que a hora do arrependimento também para eles soe, o que só se dá após séculos, segundo as revelações; mas que, afinal, soa para todos, pois que nem os próprios Espíritos de réprobos estão abandonados a si mesmos, porém, sim, assistidos e socorridos par Espíritos-missionários, prepostos a essa obra.

No caso de que acabamos de tratar, vê que o Espírito afirma ignorar por quanto tempo esteve a errar nas trevas e no insulamento. Farei notar que, no mundo dos vivos, a mesma coisa se dá com os pacientes hipnóticos postos em estado de sonambulismo vígil, para os quais o tempo deixa de existir. Par isso é que respondem ao experimentador, quando este os desperta ao cabo de vinte e quatro horas, que dormiram um minuto. Numa de minhas obras anteriores, referente aos fenômenos de obsessão, citei o caso de um Espírito obsidente, ao qual o Doutor Wickland pergunta em que ano supõe ele estar e que responde: Sei bem que estamos em 1902. Estava-se, entretanto, em 1919. Mas, o homem morrera em 1902 e errara nas trevas durante dezessete anos, julgando estar naquela situação desde alguns dias apenas.

Com relação às concordâncias episódicas a assinalar no caso que nos ocupa, consideradas em confronto com os outros casos citados precedentemente, não podem deixar de ser muito limitadas, por se tratar de entidades de defuntos que se acham em meios espirituais diferentes. Assinalarei, todavia, as concordâncias relativas aos detalhes fundamentais do costume: o Espírito não tem consciência de estar morto; acha-se em forma humana no mundo espiritual; não percebe a presença dos Espíritos que lhe são hierarquicamente superiores e que por ele velam e o guiam, à sua revelia.

Quanto ao detalhe inteiramente capital, concernente ao poder criador do pensamento no meio espiritual, notarei que o Espírito alude a isso muitas vezes em suas mensagens, acrescentando detalhes interessantes, o que me Leva a extrair mais algumas passagens do texto.

Exprime-se assim:

No mundo espiritual o pensamento é tudo - o que não se dá no mundo dos vivos. Comunicamo-nos entre nós pelo pensamento; é pela força do pensamento, combinada com a vontade, que podemos criar todas as coisas de que temos necessidade. Para utilizarmos desta maneira a força do pensamento, não basta pensemos no objeto que desejamos: é preciso uma concentração firme do pensamento sobre esse objeto, pensando em todos os seus detalhes. Por exemplo, se pensarmos numa túnica branca, poderemos criá-la na sua mais simples forma; porém, se quisermos produzi-la de forma especial, de cor especial, com um determinado desenho, precisaremos fixar o pensamento em cada um desses detalhes, segundo a maneira por que queiramos se apresentem na túnica. Do mesmo modo, se quisermos criar pelo pensamento uma pintura - por exemplo, a reprodução de uma paisagem - devemos concebê-la no Espírito com a maior nitidez. A não ser assim, apenas se formará um esboço mais ou menos confuso e informe. É por isso que, exercitando-se nas criações do pensamento, os Espíritos chegam a pensar com uma nitidez cada vez maior e a concentrar a vontade com uma eficácia sempre mais importante. A coisa é muito útil, pois que também no mundo espiritual grande necessidade se tem de pensar com clareza...

 

ERNESTO BOZZANO



Escrito por Jeanne às 18h33
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MORTES PREMATURAS E PERDA DE ENTES QUERIDOS

934. A perda dos entes que nos são caros não constitui para nós legítima causa de dor, tanto mais legítima como quando é irreparável e independente da nossa vontade?

"Essa causa de dor atinge assim o rico como o pobre: repre­senta uma prova, ou expiação, e comum é a lei. Tendes, porém, uma consolação em poderdes comunicar-vos com os vossos amigos pelos meios que têm ao seu alcance, enquanto não dis­pondes de outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos."

936. Como é que as dores inconsoláveis dos que sobrevivem se refletem nos Espíritos que as causam?

"O Espírito é sensível à lembrança e às saudades dos que lhe eram caros na Terra; mas, uma dor incessante e desarrazoada o toca penosamente, porque, nessa dor excessiva, ele falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conse­guinte, um obstáculo ao adiantamento dos que o choram e talvez à sua reunião com estes."

Estando o Espírito mais feliz no Espaço que na Terra, lamentar que ele  tenha deixado a vida corpórea é deplorar que seja feliz.

Figuremos dois amigos que se achem metidos na mesma prisão. Ambos alcançarão um dia a liberdade, mas um a obtém antes do outro. Seria caridoso que o que continuou preso se entristecesse porque o seu amigo foi libertado primeiro? Não haveria, de sua parte, mais egoísmo do que afeição em querer que do seu cativeiro e do seu sofrer partilhasse o outro por igual tempo? O mesmo se dá com dois seres que se amam na Terra. O que parte primeiro é o que primeiro se liberta e só nos cabe felicitá-lo, aguardando com paciência o momento em que a nosso turno também o sere­mos. Façamos ainda, a este propósito, outra comparação. Tendes um amigo que, junto de vós, se encontra em penosíssima situação. Sua saúde ou seus interesses exigem que vá para outro país, onde estará melhor em todos os aspectos. Deixará temporariamente de se achar ao vosso lado, mas com ele vos correspondereis sempre: a separação será apenas material. Desgostar do seu afastamento, embora para o seu bem? Pelas provas patentes, que ministra, da vida futura, da presença, em torno de nós, daqueles a quem ama­mos, da continuidade da afeição e da solicitude que nos dispensa­vam; pelas relações que nos faculta manter com eles, a Doutrina Espírita nos oferece suprema consolação, por ocasião de uma das mais legítimas dores. Com o Espiritismo, não mais solidão, não mais abandono: o homem, por mais insulado que esteja, tem sem­pre perto de si amigos com quem pode comunicar-se.

Impacientemente suportamos as tribulações da vida. Tão intoleráveis nos parecem, que não compreendemos que pos­samos sofrê-las. Entretanto, se as tivermos suportado cora­josamente, se soubermos impor silêncio às nossas murmu­rações, nos felicitaremos, quando fora desta prisão terrena, como o doente que sofre se felicita, quando curado, por se haver submetido a um tratamento doloroso.

 

A VACINA

 

Os  Dr.es Salk e Sabin, missionários do bem no campo da ci­ência, trouxeram à Terra a vacina contra a poliomielite, livran­do milhares de crianças do estigma da paralisia infantil. Porém, estamos agora pretendendo divulgar, direto daqui do lugar que chamais de céu, a vacina contra outra paralisia que vem inutil­izando centenas de milhares de criaturas ao longo dos séculos e, principalmente agora, na era do conforto físico, impedindo­-lhes a colheita benéfica da experiência que aqui vieram buscar. Trata-se, meus amigos, da AUTOPIEDADE.

Ouvimos, por toda parte, criaturas que se acreditam no limite de suas forças. Sofreram demais, afirmam, foram inúmeras as desilusões e as dores. Agora, aspiram ao repouso e ao isolamento. Querem ficar a sós, como um gato a lamber as próprias feri­das.

Já trabalharam muito e muito foram incompreendidas pelo próximo. A idade chegou solapando-lhes as melhores energias. Estão à espera da bênção da morte, do eterno descanso.

Amigo querido, se de fato tens pena de ti mesmo, larga des­se sentimento escuro, levanta e corre ao TRABALHO. Esta é a vacina para não ter de enfrentar, no espelho da verdade além­ túmulo, a vergonha de se ver tal qual se é.

 

Irmã Orminda (espírito)

 

Texto do livro Sentimentos & Conflitos – Psicografia de Grace Khawali

 

Sintonias

O ser humano é um verdadeiro campo magnético, atraindo pessoas e situações, as quais se sintonizam amorosamente com seu mundo mental, ou mesmo de forma antipática com sua maneira de ser.

Cada ser humano tem um ponto de vista que é válido, conforme sua idade espiritual.

Com frequeência, escolhemos, avaliamos e emitimos opiniões e, consequentemente, atraimos tudo aquilo que irradiamos.

A completa satisfação é de poucos, ou seja, somente daqueles que já descobriram que não é necessário compreender como os outros percebem a vida, mas sim como nós a percebemos, conscientizando-nos de que cada criatura tem uma maneira única de ser feliz.

 

Hammed

 



Escrito por Jeanne às 14h29
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Filho Deficiente

decepção passou a ser-te um ferrete em brasa, dilacerando sem cessar os teus sentimentos.

Todos os planos ficaram desfeitos, quando esperavas entesourar felicidade e vitória.

No suceder dos dias, desde os primeiros sinais, anelaste por um ser querido que chegaria aos teus braços com os louros e a predestinação da grandeza em relação ao futuro.

O pequeno príncipe deveria trazer no corpo, na mente, na vida, as características da raça pura, grandioso no porte, lúcido na inteligência, triunfador nas realizações.

O que agora contemplas não é o filho desejado, mas um feio espécime, mutilado, enfermo, frágil...

Mal acreditas que se haja gerado por teu intermédio, que seja teu filho.

Por pouco não o detestas.

Mal te recobras do choque e da vergonha que expe­rimentas quando os amigos o vêem, quando sabem que é teu descendente.

Surda revolta assenhoreia-se da tua alma e, a pouco e pouco, a amargura ganha campo no teu coração.

Reconsidera, porém, quanto antes, atitudes e posições mentais.

 Não podes arbitrar com segurança no jogo dos insondáveis sucessos da reencarnação.

Pára a reflexionar e submete-te à injunção redentora.

A tua frustração decorre do orgulho ferido, do desamor que cultivas.

Teu filho deficiente necessita de ti. Tu, porém, mais necessitas dele.

 

***

Quem agora te chega ao regaço com deficiência e limitação, recupera-se no cárcere corporal das arbitrarieda­des que perpetrou.

Déspota ou rebelde, caiu nas ciladas que deixou pela senda, onde fez que outros sucumbissem.

Mordomo da existência passada, abusou dos dons da vida com estroinice e perversidade, ferindo e terminando por ferir-se.

Não cometeu, todavia, tais desatinos a sós.

Quando alguém cai, sempre existe outrem oculto ou ostensivo que o leva ao tombo.

O êxito como o insucesso sempre se faz de parceria.

Muitos responsáveis intelectuais de realizações nobres como de crimes espetaculares permanecem não identificados.

E são os autores reais, que se utilizam dos chamados ignorantes úteis para esses cometimentos.

O filho marcado que resulta do teu corpo é alma vitimada pela tua alma, não duvides.

Não é este o primeiro tentame que realizam juntos.

Saindo do fracasso transato, ambos recomeçam aben­çoada experiência, cujo êxito podes promover desde já.

Renteia com ele na limitação e aumenta-lhe, mediante  o amor dinâmico, a capacidade atrofiada.

Sê-lhe o que lhe falta.

Da convivência nascerá a interdependência recíproca. No labor com ele, amá-lo-ás.

Infatigavelmente renova os quadros mentais e por enquanto desce ao solo da realidade, fora das ilusões mentirosas, a fim de seres, também, feliz.

 

***

Honra-te com o filhinho dependente e mais aproxima-­te dele, cada vez.

A carne gera a carne, mas os atos pretéritos do espírito produzem a forma para a residência orgânica.

As asas de anjo do apóstolo, como os pés de barro de quem amas, precedem à atual injunção fisiológica.

 

***

Se te repousa no berço de sonhos desfeitos um filhinho deformado, amputado, dementado, deficiente de qualquer natureza, esquece-lhe a aparência e assiste-o com amor.

Não te chega ao trono dos sentimentos por acaso. Antigo companheiro vencido, suplica ajuda ao desertor, só agora alcançado pela divina legislação.

Dá-lhe ternura, canta-lhe um poema de esperança, ajuda-o.

O filho deficiente no teu lar significa a tua oportunidade de triunfo e a ensancha que ele te roga para alcançar a felicidade.

Seria terrivelmente criminoso negar-lhe, por vaidade ferida, o amparo que te pede, quando te concede a bênção do ensejo para a tua reparação em relação a ele.

 

Joanna de Ângelis

 

Do livro S.O.S Família – Divaldo Pereira Franco Por Joanna de Ângelis e outros Espíritos

 



Escrito por Jeanne às 19h02
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A PRECE E O E O PODER CRIADOR DO PENSAMENTO NO MUNDO DOS ESPÍRITOS

O plano espiritual, ou mundo dos espíritos, é  a matriz do nosso planeta, lá encontramos cidades, casas, hospitais, igrejas. Cada espírito vai ali viver onde melhor sintonize, e seguir a crença que acalentava na terra. No texto abaixo, o autor espiritual André Luiz e seu colega de aprendizado Hilário, visitam uma igreja junto com o instrutor espiritual Silas, que esclarece que a igreja em questão não tem santos nos nichos, para que cada fiel possa ali realizar sua oração de acordo com a sua fé, e que o poder do seu pensamento plasma (cria) no interior do nicho o santo de sua devoção. Mais adiante explica que toda a oração será atendida pelos espíritos superiores encarregados de tal missão, o que é muito reconfortante para quem costuma orar com devoção.

“— É uma pobre mãe desencarnada que roga pelos filhos transviados nas sombras. Invoca a proteção de nossa Mãe Santissima, sob a representação de Senhora da Piedade, segundo a fé que o seu coração pode, por enquanto, albergar, no âmbito das recordações trazidas do mundo...
— Isso quer dizer que a imagem de nossa visão...
Esta observação ficou, porém, no ar, porque Silas completou, presto:
— É uma criação dela mesma, reflexo dos próprios pensamentos com que tece a rogativa, pensamentos esses que se ajustam à matéria sensível do nicho, plasmando a imagem colorida e vibrante que lhe corresponde aos desejos.
E respondendo automaticamente às indagações que o problema nos sugeria, continuou: <