ESPIRITIZAR


02/07/2008


A CRISE DA MORTE

Primeiro Caso

 

Extraio este fato de uma obra intitulada: Letters and Tracts on Spiritualism, abra que contém os artigos e as monografias publicadas pelo juiz Edmonds, de 1854 a 1874. Sabe-se que Edmonds era notável médium psicógrafo, falante e vidente. Alguns meses depois da morte acidental de seu confrade, o juiz Peckam a quem ele muito estimava, deu-se o caso de Edmonds escrever longa mensagem, em que seu amigo morto referia as circunstâncias de sua morte. As passagens seguintes são tiradas da mensagem em questão:

Se houvera podido escolher a maneira de desencarnar, certamente não teria preferido a que o destino me impôs. Todavia, presentemente não me queixo do que me aconteceu, dada a natureza maravilhosa da nova existência que se abriu subitamente diante de mim.

No momento da morte, revi, como num panorama, os acontecimentos de toda a minha existência. Todas as cenas, todas as ações que eu praticara passaram ante o meu olhar, como se  houvessem gravado na minha mentalidade, em fórmulas luminosas. Nem um só dos meus amigos, desde a minha infância até a morte, faltou á chamada. Na ocasião em que mergulhei no mar, tendo nos braços minha mulher, apareceram-me meu pai e minha mãe e foi esta quem me tirou da água, mostrando uma energia cuja natureza só agora compreendo. Não me lembro de ter sofrido. Quando imergi nas águas, não experimentei sensação alguma de medo, nem mesmo de frio, ou de asfixia. Não me recordo de ter ouvido o barulho das ondas a se quebrarem sobre as nossas cabeças. Desprendi-me do corpo quase sem me aperceber disso e, abraçado sempre à minha mulher, segui minha mãe, que viera para nos acolher e guiar.

O primeiro sentimento penoso só me assaltou quando dirigi o pensamento para o meu caro irmão; porém, minha mãe, percebendo-me a inquietação, logo ponderou: Teu irmão também não tardará a estar conosco: A partir desse instante, todo sentimento penoso desapareceu de meu espírito. Pensava na cena dramática que acabara de viver, unicamente com o fito de levar socorro aos meus companheiros de desgraça. Logo, entretanto, vi que estavam salvos das águas, do mesmo modo por que eu fora. Todos os objetos me pareciam tão reais à volta de mim que, se não fosse a presença de tantas pessoas que sabias morta, teria corrido para junto dos náufragos.

Quis informar-te de tudo isto, a fim de que possas mandar uma palavra de consolação aos que imaginam que os que lhes são caros e que desapareceram comigo sofreram agonias terríveis, ao se verem presas da morte. Não há palavras que te possam descrever a felicidade que experimentei, quando vi que vinham ao meu encontro ora uma, ora outra das pessoas a quem mais amei na Terra e que todas acudiam a me dar às boas-vindas nas esferas dos imortais. Não tendo estado enfermo e não tendo sofrido, fácil me foi adaptar-me imediatamente às novas condições de existência...

Com esta última observação, o Espírito alude a uma circunstância que concorda com as informações cumulativas, obtidas sobre o mesmo assunto, por grande número de outras personalidades mediúnicas, isto é, que só nos casos excepcionais de mortes imprevistas, sem sofrimentos e combinadas com estados serenos da alma, é possível atravessar o Espírito à crise da desencarnação, sem haver necessidade de ficar submetido a um período  mais ou menos longa de sono reparador. Ao contrário, nos casos de morte consecutiva à longa enfermidade, em idade avançada, ou com a inteligência absorvida por preocupações mundanas, ou oprimida pelo terror da morte, ou, ainda, apenas, mas firmemente, convencida da aniquilação final, os Espíritos estariam sujeitos a um período mais ou menos prolongado de inconsciência.

Ponderarei que estas observações já se referem a um desses detalhes secundários a que aludi em começo e nos quais se notam desacordos aparentes, que, na realidade, se resumem em concordâncias reguladas por uma lei geral, que necessariamente se manifesta por modos muito diferentes, segundo a personalidade dos defuntos e as condições espirituais tão diversas em que se acham no momento da desencarnação.

Cumpre-se atente, além disso, no detalhe interessante de dizer o morto ter tido, no momento da morte, a visão panorâmica de todos os acontecimentos de sua existência. Sabe-se que este fenômeno é familiar aos psicólogos; foi referido muitas vezes por pessoas salvas de naufrágios. (Publiquei a respeito uma longa monografia nesta mesma Revista, no correr dos anos de 1922-1923.) Ora, no caso relatado pelo juiz Edmonds, como em muitos outros casos do mesmo gênero, assistimos ao fato importante de um morto afirmar haver passado, a seu turno, pela experiência da visão panorâmica, de que falam os náufragos salvos da morte. Isto se torna teoricamente importante, desde que se tenha em mente que o juiz Edmonds não conhecia a existência dos fenômenos desta espécie, ignorados pelos psicólogos de sua época. Ele, pois, não podia auto-sugestionar-se nesse sentido, o que constitui boa prova a favor da origem, estranha ao médium, da mensagem de que se trata.

Notarei, finalmente, que neste episódio, ocorrido nos primeiros tempos das manifestações mediúnicas, já se observam muitos detalhes fundamentais, concernentes aos processos da desencarnação do Espírito, os quais serão depois constantemente confirmados, em todas as revelações do mesmo gênero. Assim, por exemplo, o detalhe de o Espírita não perceber, ou quase não perceber, que se separara do corpo e, ainda menos, que se achava num meio espiritual. Também o outro detalhe de o Espírito se encontrar com uma forma humana e se ver cercado de um meio terrestre, ou quase terrestre, de pensar que se exprime de viva voz como dantes e perceber, como antes, as palavras dos demais. Assinalemos ainda outro detalhe: o de achar o Espírito desencarnado, ao chegar ao limiar da nova existência, para o acolherem e guiarem, outros Espíritos de mortos, que são geralmente seus parentes mais próximos, mas que também podem ser seus mais caros amigos, ou os Espiritos-guias.

Detalhe fundamental também este que, com os outros, será confirmado por todas as revelações transcendentais sucessivas, até aos nossos dias, salvo sempre circunstâncias mais ou menos especiais de mortos moralmente inferiores e degradados, aos quais a inexorável lei de afinidade (lei físico-psíquica, irresistível em seu poder fatal de atração dos semelhantes) prepararia condições de acolhimento espiritual muito diferentes das com que deparam os Espíritos evolvidos.

 

A CRISE DA MORTE - ERNESTO BOZZANO

 

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 22h29
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01/07/2008


A CRISE DA MORTE

Reproduzo um último caso de data antiga, que extraio do livro do Dr. Wolfe: Starling Facts in Modern Spiritualism (pág. 388). “Jim Nolan”, o “Espírito-guia” do célebre médium Sr. HoIlis, que disse e demonstrou ter sido soldado no curso da Guerra de Secessão da América e haver morrido de tifo num hospital militar, responde da maneira seguinte às perguntas de um experimentador:

P. Que impressão tiveste da tua primeira entrada no mundo espiritual?
E?.
Parecia-me que despertava de um sono, com um pouco de atordoamento a mais. Já não me sentia enfermo e isso me espantava grandemente. Tinha uma vaga suspeita de que alguma coisa estranha se passara, todavia, não sabia definir o de que se tratava. Meu corpo se achava estendido no leito de campanha e eu o via. Dizia de mim para mim: “Que estranho fenômeno!”
Olhei ao meu derredor, e vi três de meus camaradas mortos nas trincheiras diante de Vicksburg e que eu enterrara. Entretanto, ali estavam na minha presença! Olhavam a sorrir. Então, um dos três me saudou, dizendo:
Bom-dia, Jim; também és dos nossos?
Sou dos vossos? Que queres dizer?
Mas...- que te achas aqui, conosco, no mundo dos Espíritos. Não te apercebeste disto? É um meio onde se está bem.
Estas palavras eram muito fortes para mim. Fui presa de violenta emoção e exclamei:
“Meu Deus! Que dizes! Estou morto?”
Não; estás mais vivo do que nunca, Jim; porém te achas no mundo dos Espíritos. Para te convenceres, não tens mais do que atentar no teu corpo.
Com efeito, meu corpo jazia, inanimado, diante de mim, sobre a tarimba. Como, pois, contestar o fato? Pouco depois, chegaram dois homens que colocaram meu cadáver numa prancha e o transportaram para perto de um carro; neste o meteram, subiram à boléia e partiram. Acompanhei então o carro, que parou à borda de um f
osso, onde o meu cadáver foi arriado e enterrado. Fora eu o único assistente do meu enterro...
P.
Quais as sensações que experimentaste na crise da morte?
R.
A que se experimenta quando o sono se apodera da gente, mas deixando que ainda se possa lembrar de alguma idéia que tenha tido antes do sono. A gente, porém, não se lembra do momento exato em que foi tomado pelo sono. É o que se dá por ocasião da morte. Mas, um pouco antes da crise fatal, minha mentalidade se tornara muito ativa; lembrei-me subitamente de todos os acontecimentos da minha vida; vi e ouvi tudo que fizera, dissera, pensara, todas as coisas a que estivera associado. Lembrei-me até dos jogos e brincadeiras do campo militar; gozei-os, como quando deles participei.
P.
Conta-nos as tuas primeiras impressões no mundo espiritual.
R.
la dizer-vos que os meus bons amigos soldados não mais me abandonaram, desde que desencarnei até o momento em que fiz a minha entrada no mundo espiritual; lá, tinha eu avós, irmãos e irmãs, que, entretanto, não me vieram receber quando desencarnei. Ao entrar no mundo espiritual, parecia-me caminhar sobre um terreno sólido e vi que ao meu encontro vinha uma velha, que me dirigiu a palavra assim: “Jim, então vieste para onde estávamos?” Olhei-a atentamente e exclamei:
“Ó avozinha, és tu?” “Sou eu mesma, meu caro Jim. Vem comigo.” E me levou para longe dali, para sua morada. Uma vez lá, disse-me ser necessário que eu repousasse e dormisse. Deitei-me e dormi longamente...
P.
A morada de que falas tinha o aspecto de uma casa?
R.
Certamente. No mundo dos Espíritos, há a força do pensamento, por meio do qual se podem criar todas as comodidades desejáveis. . .

A Crise da Morte – Ernesto Bozzano

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 22h01
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30/06/2008


Objetivo da encarnação

141 Há alguma verdade na opinião dos que pensam que a alma é exterior e envolve o corpo?

– A alma não está aprisionada no corpo como um pássaro numa gaiola. Irradiante, ela brilha e se manifesta ao redor dele como a luz através de um globo de vidro ou como o som ao redor de um centro sonoro. É desse modo que se pode dizer que é exterior, mas não é o envoltório do corpo. A alma tem dois envoltórios ou corpos: um sutil e leve, que é o primeiro, chamado perispírito; o outro, grosseiro, material e pesado, que é o corpo carnal. A alma é o centro de todos esses envoltórios, como o germe o é numa semente, como já dissemos.

142 O que dizer desta outra teoria segundo a qual a alma, numa criança, se completa a cada período de vida?

– O Espírito é um só, está completo na criança como no adulto. Os órgãos ou instrumentos das manifestações da alma é que se desenvolvem e se completam. Nesse caso é ainda tomar o efeito pela causa.

143 Por que todos os Espíritos não definem a alma da mesma maneira?

– Os Espíritos não são todos igualmente esclarecidos sobre estas questões. Há Espíritos cujos conhecimentos são ainda limitados e não compreendem as coisas abstratas, como ocorre entre vós com as crianças. Há também Espíritos pseudo-sábios, que fazem rodeio de palavras para se impor; aliás, como acontece entre vós. Mas, além disso, os próprios Espíritos esclarecidos podem se exprimir em termos diferentes que, no fundo, têm o mesmo significado, especialmente quando se trata de coisas para as quais a vossa linguagem é inadequada para exprimir claramente, precisando de figuras e comparações que tomais como realidade.

144 O que se deve entender por alma do mundo?

– O princípio universal da vida e da inteligência de onde nascem as individualidades. Mas aqueles que se servem dessas palavras freqüentemente não se compreendem uns aos outros. A palavra alma tem uma aplicação tão elástica que cada um a interpreta de acordo com a sua imaginação. Já se atribuiu, também, uma alma à Terra, o que é preciso entender como sendo o conjunto de Espíritos devotados que dirigem as vossas ações no bom caminho quando os escutais, e que são, de algum modo, os representantes de Deus em relação ao vosso globo.

145 Como tantos filósofos antigos e modernos têm discutido por tanto tempo sobre a ciência psicológica sem ter chegado à verdade?

– Esses homens eram os precursores da Doutrina Espírita eterna. Eles prepararam os caminhos. Eram homens e se enganaram, tomaram suas próprias idéias pela luz. Mas os próprios erros servem para deduzir a verdade ao mostrar os prós e os contras. Aliás, entre esses erros se encontram grandes verdades, que um estudo comparativo tornará compreensíveis1.

146 A alma tem uma sede determinada e circunscrita no corpo?

– Não, mas está mais particularmente na cabeça entre os grandes gênios, os que pensam muito, e no coração nos que têm sentimentos elevados e cujas ações beneficiam toda a humanidade.

146 a Que pensar da opinião daqueles que colocam a alma num centro vital?

– Isso quer dizer que o Espírito se localiza, de preferência, nessa parte do vosso organismo, uma vez que é para aí que convergem todas as sensações. Aqueles que a colocam no que consideram como centro da vitalidade a confundem com o fluido ou princípio vital. Contudo, pode-se dizer que a sede da alma está mais particularmente nos órgãos que servem às manifestações intelectuais e morais.

O Livro dos Espíritos  - Parte Segunda – Capítulo 2

Encarnação dos espíritos

(mais sobre encarnação no dia 28.06 neste blog)

 

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 22h53
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29/06/2008


O cérebro espiritual

O pensamento não é somente o resultado das articulações cerebrais, mas constitui, mais profundamente, a soma complexa das funções ainda imperceptíveis da mente. Todos os seres humanos possuem o poder do pensamento, embora desconheçam a força que carregam consigo.

Nossos pensamentos transformam-se em correntes mentais, colocando-nos em ligação psíquica com o universo de pensamentos alheios, de vital importância para a vida íntima de cada um de nós.

O cérebro espiritual de qualquer pessoa tem a capacidade extraordinária de, ao mesmo tempo e ininter­ruptamente, emitir mensagens psíquicas e captar ondas mentais de criaturas encarnadas ou desencarnadas.

Há um mundo invisível mas real, imponderável mas positivo, em torno de todos os encarnados. Somos todos espíritos intercomunicando-se intensamente, de modo sutil pelos fios eletromagnéticos do pensamento. O sábio espírito Emmanuel nos esclarece a respeito:

 

"Assimilamos os pensamentos daqueles que pensam como pensamos. É que, sentindo, mentalizando, falando ou agindo, sintonizamo-nos com as emoções e idéias de todas as pessoas, encarnadas ou desencarnadas, de nossa faixa de simpatia. "(')

Somos todos médiuns

 

Se todas as pessoas possuem o poder mental de sintonizar-se com outras mentes, influenciando e sendo influenciadas, podemos concluir que todas as criaturas são médiuns, pois todos nós nos relacionamos com os espíritos, embora grande parte das criaturas não percebam nem de leve esse fenômeno. Médiuns não são apenas os que possuem determinadas faculdades psíquicas especiais: clariaudiência, clarividência, psicofonia, psicografia, efeitos físicos e magnetismo curador. Quem não detém nenhuma das faculdades especiais é também um médium, porque possui a força mental para receptar espontaneamente de outras mentes, pelo fenômeno psíquico chamado "inspi­ração" ou "intuição", muito comum nos acontecimentos do dia-a-dia das pessoas mais espiritualizadas.

Os espíritos estão em toda parte, em intercâmbio profundo com os homens de todas as classes sociais e de todos os graus de moralidade.

Com facilidade, entramos na faixa psíquica de todos os espíritos que se assemelham a tudo aquilo que estamos sentindo, conversando, imaginando ou de acordo com as nossas ações e hábitos diários.

A força de sintonia nascerá sempre de nós para com os espíritos, pois seremos logicamente nós que acionamos a tomada de ligação mental. Para o espírito Emmanuel, "a inspiração é a equipe dos pensamentos alheios que aceitamos ou procuramos"

 

Livro: Minha Mente, Meu Mundo – Walter Barcelos

 

 

Amigos, este blog está destinado apenas aos estudos, quem desejar ler as mensagens espiritas, estou em novo endereço: 

 http://conscienciaevida.blogspot.com estarei esperando por vocês lá.

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 18h43
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28/06/2008


Objetivo da encarnação

132 Qual é o objetivo da encarnação dos Espíritos?

– A Lei de Deus lhes impõe a encarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição. Para uns é uma expiação; para outros é uma missão. Mas, para chegar a essa perfeição, devem sofrer todas as tribulações da existência corporal: é a expiação. A encarnação tem também um outro objetivo: dar ao Espírito condições de cumprir sua parte na obra da criação. Para realizá-la é que, em cada mundo, toma um corpo em harmonia com a matéria essencial desse mundo para executar aí, sob esse ponto de vista, as determinações de Deus, de modo que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.

A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do universo. Deus, em sua sabedoria, quis que, numa mesma ação, encontrassem um meio de progredir e de se aproximar Dele. É assim que, por uma lei admirável da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na natureza.

133 Os Espíritos que, desde o princípio, seguiram o caminho do bem, têm necessidade da encarnação?

– Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer só alguns felizes, sem dificuldades e sem trabalho e, por conseguinte, sem mérito.

133 a Mas, então, de que serve aos Espíritos seguirem o caminho do bem, se isso não os livra das dificuldades da vida corporal?

– Eles chegam mais rápido à finalidade a que se destinam; e, depois, as dificuldades da vida são muitas vezes a conseqüência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeições, menos tormentos. Aquele que não é invejoso, ciumento, avarento ou ambicioso não sofrerá com os tormentos que procedem desses defeitos.

A alma

134 O que é a alma?

– Um Espírito encarnado.

134 a O que era a alma antes de se unir ao corpo?

– Um Espírito.

134 b As almas e os Espíritos são, portanto, uma e a mesma coisa?

– Sim, as almas são os Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível e se revestem temporariamente de um corpo carnal para se purificar e se esclarecer.

135 Há no homem outra coisa mais que a alma e o corpo?

– Há o laço que une a alma ao corpo.

135 a Qual é a natureza desse laço?

– Semimaterial, ou seja, de natureza intermediária entre o Espírito e o corpo. É preciso que assim seja para que possam se comunicar um com o outro. É por esse princípio que o Espírito age sobre a matéria e vice-versa.

Desse modo, o homem é formado de três partes essenciais: 1ª) O corpo ou ser material, semelhante ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;

2ª) A alma, Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação;

3ª) O princípio intermediário ou perispírito, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e une a alma ao corpo físico. São como num fruto: a semente, o perisperma e a casca.

136 A alma é independente do princípio vital?

– O corpo é apenas o envoltório, repetimos isso constantemente.

136 a O corpo pode existir sem a alma?

– Sim, pode; porém, desde que cesse a vida no corpo, a alma o abandona. Antes do nascimento, não há união definitiva entre a alma e o corpo; ao passo que, depois que essa união está estabelecida, só a morte do corpo rompe os laços que o unem à alma, que o deixa. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo em que não há vida orgânica.

136 b O que seria nosso corpo se não houvesse alma?

– Uma massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um ser humano.

137 Um mesmo Espírito pode encarnar em dois corpos diferentes ao mesmo tempo?

– Não; o Espírito é indivisível e não pode animar simultaneamente dois seres diferentes. (Veja O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, cap. 7 – Da Bicorporeidade e da Transfiguração.)

138 Que pensar daqueles que consideram a alma como o princípio da vida material?

– É uma questão de palavras que não nos diz respeito. Começai por vos entenderdes a vós mesmos.

139 Alguns Espíritos e, antes deles, alguns filósofos definiram assim a alma: “Uma centelha anímica emanada do grande Todo”. Por que essa contradição?

– Não há contradição; depende da significação das palavras. Por que não tendes uma palavra para cada coisa?

A palavra alma é empregada para exprimir coisas muito diferentes. Uns chamam alma o princípio da vida, e com esse entendimento é exato dizer, em sentido figurado, que a alma é “uma centelha anímica emanada do grande Todo”. Essas últimas palavras indicam a fonte universal do princípio vital do qual cada ser absorve uma porção que, depois da morte, retorna à massa. Essa idéia não exclui a de um ser moral distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade. É esse ser que se chama, igualmente, alma, e é nesse sentido que se pode dizer que a alma é um Espírito encarnado. Ao dar à alma definições diferentes, os Espíritos falaram conforme a idéia que faziam da palavra e de acordo com as idéias terrestres de que ainda estavam mais ou menos imbuídos. Isso decorre da insuficiência da linguagem humana, que não tem uma palavra para cada idéia, gerando uma infinidade de enganos e discussões. Eis por que os Espíritos superiores nos dizem que nos entendamos primeiro acerca das palavras (Ver na Introdução explicação mais detalhada de alma).

140 O que pensar da teoria da alma subdividida em tantas partes quanto os músculos e sendo responsável, assim, por cada uma das funções do corpo?

– Isso depende ainda do sentido que se dá à palavra alma. Se a entendermos como o fluido vital, tem razão; mas se queremos entendê-la como Espírito encarnado, é errada. Como já dissemos, o Espírito é indivisível. Ele transmite o movimento aos órgãos pelo fluido intermediário, sem se dividir.

140 a Entretanto, há Espíritos que deram essa definição.

– Espíritos ignorantes podem tomar o efeito pela causa.

A alma atua por intermédio dos órgãos e os órgãos são animados pelo fluido vital, que se reparte entre eles e se concentra mais fortemente nos órgãos que são os centros ou focos do movimento. Conseqüentemente, não procede a idéia de igualar a alma ao fluido vital, se por alma queremos dizer o Espírito que habita o corpo durante a vida e o abandona na morte.

O Livro dos Espíritos  - Parte Segunda – Capítulo 2

Encarnação dos espíritos

 

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 22h40
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26/06/2008


Tendências: Reflexos do passado

A reencarnação não apaga as experiências adquiridas no pretérito; apenas  as encobre com o véu do esquecimento, a fim de que o indivíduo possa prosseguir, sem interferências  diretas, a sua jornada evolutiva.

Na busca constante de novos conhecimentos, o Espírito completará o seu aprendizado ao longo das eras.

O ser humano, a cada encarnação, enfrentará as vicissitudes que definirão o seu aprimoramento.

Se bem-sucedido, incorporará novas conquistas; se derrotado, árduas lutas se travarão entre os verdadeiros e falsos valores incorporados.

Jesus apresenta ao homem a fórmula segura para alcançar os seus objetivos sem tombar pelos atalhos:

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. [...]  

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. (Mateus, 7:13 e 21.)

Portanto, todo aquele que direciona a vontade pelos caminhos do estudo, do trabalho digno, do respeito a Deus e aos semelhantes, consegue enriquecer o espírito de bens perenes. Estes bens são conquistas que o tempo jamais apagará.

Experiências adquiridas ficam impressas nos arquivos mentais do Espírito e acompanham-no ao longo das reencarnações, razão pela qual a criança revela tendências incompreensíveis àqueles que desconhecem as leis da reencarnação.

De tempos em tempos a mídia revela crianças-prodígio que apresentam o dom da música e se identificam com certos

instrumentos sem qualquer aprendizado anterior. Outras encontram tanta intimidade com os números a ponto de realizar cálculos impossíveis de se conceber na faixa etária em que se encontram.

Não é raro observar crianças mal saídas do berço que já revelam tendências agressivas e paixão por armas. São tendências que demonstram seu cabedal de experiências adquiridas em outras vidas.

Algumas delas se manifestam logo na primeira idade; enquanto outras podem vir à tona em momentos marcantes da vida. Os pais, geralmente, assistem, atônitos, a seus adoráveis rebentos revelarem caráter agressivo ou dócil; confiante ou temeroso; obediente ou revoltado; amoroso ou arredio.

Se os genitores apresentam traços semelhantes, certamente se convencerão de que a virtude ou a falha moral, que se manifesta no seu descendente, é de origem hereditária.

Daí se ouvir certos refrões: “Aquele menino puxou o gênio do pai, ou a inteligência da mãe”; “Aquele outro tem a agressividade do seu avô”. Há características que em nada se assemelham às dos seus familiares.

O Espiritismo faz luz sobre a diferença entre a hereditariedade e as tendências inatas. Assim, os traços físicos que se assemelham aos dos familiares, como a cor dos seja proveitosa. Esse é o caminho para que o Espírito cresça de conformidade com os padrões morais evangélicos e, no momento aprazado, retorne à vida espiritual com o futuro consolidado nas leis divinas.

A Doutrina Espírita, alicerçada no Evangelho de Jesus, propõe ao homem o trabalho constante de sua escultura moral.

Aceitar a hereditariedade como causa das insuficiências morais é duvidar da Justiça Divina.

A lei da reencarnação é a expressão mais justa da misericórdia do Criador para com suas criaturas.

É a oportunidade de desfazer enganos e apagar delitos; de refazer amizades e ampliar vínculos no equilíbrio de energias afins; de se reconstruir o que se destruiu em existências anteriores. É oportunidade de crescer. Afirma Kardec: Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.

(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 4.)

Esse é o objetivo primordial da reencarnação. É importante que o ser humano se conscientize de que nenhuma educação, nenhuma aquisição moral se efetiva sem perseverança, sem esforço, sem Evangelho. A conquista da luz interior só se alcança com muito  suor e lágrimas.

Jesus legou ao homem o mais perfeito roteiro de vida: o seu Evangelho, programado para se projetar futuramente no Consolador, que floresceu na Doutrina Espírita. É preciso valorizar esse tesouro.

Para o Espírito recalcitrante, cujos instrumentos educacionais não surtem o efeito desejado, um outro se apresenta infalível: a dor.

Nesse mecanismo de conquistas e aquisições, ou quedas e sofrimentos, de acordo com as leis da vida, a hereditariedade pode colaborar para a realização desse feito. Assim, o conjunto de hábitos morais e intelectuais, adquiridos e aprimorados por uma educação bem direcionada, se agregarão às tendências inatas arquivadas ao longo do carreiro evolutivo, e jamais se perderão com a desintegração da matéria.

Um físico saudável é benesse adquirida em vivências de equilíbrio e respeito à veste carnal, enquanto que um corpo doente reflete os abusos e vícios cultivados.

É, pois, a lei da hereditariedade que faculta esta tarefa. Uma mente prodigiosa revela as conquistas encetadas ao longo de muitas encarnações. Porém, somente um Espírito evangelizado irradiará a paz das conquistas sedimentadas nos celeiros de obras realizadas em sincronia com as leis divinas.

Esta realidade, revelada pela Doutrina dos Espíritos, é o cerne da semente plantada pelo Divino Lavrador.

Amaral Ornellas

 

Reformador – fevereiro de 2007

Categoria: Artigos espiritas
Escrito por Jeanne às 18h49
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25/06/2008


A PARENTELA CORPORAL E A PARENTELA ESPIRITUAL

Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.

Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consangüíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências (Capitulo IV, no.13).

Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atual. Foi o que Jesus quis tornar compreensível, dizendo de seus discípulos: Aqui estão minha mãe e meus irmãos, isto é, minha família pelos laços do Espírito, pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

A hostilidade que lhe moviam seus irmãos se acha claramente expressa em a narração de São Marcos, que diz terem eles o propósito de se apoderarem do Mestre, sob o pretexto de que este perdera o espirito. Informado da chegada deles, conhecendo os sentimentos que nutriam a seu respeito, era natural que Jesus dissesse, referindo-se a seus discípulos, do ponto de vista espiritual: "Eis aqui meus verdadeiros irmãos." Embora na companhia daqueles estivesse sua mãe, ele generaliza o ensino que de maneira alguma implica haja pretendido declarar que sua mãe segundo o corpo nada lhe era como Espírito, que só indiferença lhe merecia. Provou suficientemente o contrário em várias outras circunstâncias.

 

Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo.
112a edição. Capitulo XIV, no.8. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996.

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 23h45
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24/06/2008


Fechar as Portas

 Desde as culturas mais remotas encontramos referências à influência exercida por seres invisíveis.

Na antiga Grécia eram os deuses que interferiam no destino humano, de conformidade com seus humores e caprichos.

Na Idade Média consagrou-se a idéia do demônio, ser rebelado contra Deus, especializado em atazanar os homens, induzindo suas vítimas à perdição.

Sabemos hoje que os invisíveis são as almas dos mortos, homens desencarnados, que agem de conformidade com suas tendências e desejos.

O chamado plano espiritual é apenas uma proteção da crosta terrestre. Começa exatamente onde estamos. Boa parcela dos defuntos aqui permanece, exercendo sobre nós ampla e insuspeita pressão psíquica.

Na questão 459, de ‘‘O Livro dos Espíritos’’, os mentores que assistiam Kardec nos fornecem a notícia de que essa influência é tão grande que não raro eles nos dirigem.

Algo para se pensar, não é mesmo, caro leitor?

Muitas pessoas, nos Centros Espíritas, são informadas de que seus problemas estão relacionados com a presença de inimigos espirituais que as assediam buscando desforra por passadas ofensas.

Em princípio está certo.

Problemas físicos e psíquicos que resistem aos recursos da Medicina podem originar-se dessa influência, com a possibilidade de se tornarem crônicos, porquanto os médicos ignoram as causas. Cuidam precariamente dos efeitos.

Mas há um detalhe:

Nem sempre estamos às voltas com vingadores.

Nem sempre essa pressão envolve motivação passional.

São Espíritos presos à vida material, aos seus vícios e interesses.

Sofrem por isso um adensamento do corpo espiritual. Isto os leva a viver como se fossem encarnados, sentindo necessidades relacionadas com alimentação, abrigo, sexo, vícios...

Daí ligarem-se aos homens, nutrindo-se de seu magnetismo, e satisfazendo seus anseios nos domínios das sensações.

Esses ‘‘hóspedes’’ não intentam nos prejudicar.

A expressão mais correta seria explorar.

Exploram nosso psiquismo, servem-se dos fluidos densos que lhes possamos oferecer.

É uma associação perturbadora, porquanto nos sujeita aos seus desajustes. E nos exaure psiquicamente, já que eles agem como autênticas sanguessugas espirituais.

Durante seu apostolado houve freqüentes contatos de Jesus com tais Espíritos, chamados por seus contemporâneos imundos, impuros, maus...

Vezes inúmeras os afastou de suas vítimas, usando de sua irresistível força moral.

E o Mestre antecipava o conhecimento espírita, ao dizer, textualmente (Mateus, 12:43- -45):

Quando o Espírito impuro tem saído dum homem, anda por lugares áridos, procurando repouso; não o encontrando, diz: - Voltarei para minha casa, donde saí.

E, ao chegar, acha-a desocupada, varrida e adornada.

Então ele vai, e leva consigo mais estes Espíritos piores do que ele, e ali entram e habitam.

O último estado daquele homem fica sendo pior que o primeiro.

A casa a que se refere Jesus é a mente humana, habitada por nossos pensamentos.

A estrutura, organização e disposição dependem do morador ---- a vontade.

Uma casa escura ---- morador deprimido.

Uma casa abafada ---- morador pessimista.

Uma casa em desordem ---- morador confuso.

Uma casa iluminada ---- morador feliz.

Uma casa arejada ---- morador animado.

Uma casa bem arrumada ---- morador organizado.

Por que Espíritos desajustados nos envolvem e influenciam tão facilmente? Podemos responder com a velha pergunta de algibeira: Por que o cachorro entra na Igreja?  Ora, entra porque a porta está aberta! Exatamente o que acontece com essas entidades. Aproximam-se de nós, envolvem- nos, invadem nossa casa mental porque, segundo a expressão evangélica: Está desocupada ---- vazia de ideais superiores, de motivação existencial. Está varrida e adornada ---- atraente para os invasores, receptiva às suas sugestões. A intervenção dos benfeitores desencarnados e os recursos mobilizados no Centro Espírita promovem seu afastamento. Todavia, isso não é o bastante. Fundamental que aprendamos a nos defender, que tenhamos cuidado, porquanto pode ser que eles resolvam voltar e venham acompanhados de outros iguais ou piores. O estrago será maior. Necessário, portanto, fechar a porta, impedir seu acesso. Na questão 469, de ‘‘O Livro dos Espíritos’’, Kardec pergunta aos mentores espirituais como podemos fazer isso. A resposta é bastante elucidativa: ‘‘ ---- Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança (...).’’ Quem se empenha em servir e tem certeza da proteção divina resguarda a casa mental contra malfeitores e desocupados do Além. Uma pergunta que deveríamos formular a nós mesmos:

Que tipo de gente recebemos em nossa casa mental?

Não é difícil definir.

Basta analisar como estamos, nossas emoções e sentimentos.

Talvez seja preciso despejar hóspedes indesejáveis e convidar outros mais recomendáveis, em favor de nossa paz.

(Richard Simonetti)

Amigos, este blog está destinado apenas aos estudos, quem desejar ler as mensagens espiritas, estou em novo endereço: 

 http://conscienciaevida.blogspot.com estarei esperando por vocês lá.

Categoria: Artigos espiritas
Escrito por Jeanne às 18h49
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23/06/2008


A ERRATICIDADE

Enquanto as almas desprendidas das influências terrenas se constituem em grupos simpáticos, cujos membros se amam, se compreendem, vivem em perfeita igualdade, em completa felicidade, os Espíritos que ainda não puderam domar as suas paixões levam uma vida errante, desordenada, e que, sem lhes trazer sofrimentos, deixa-os, contudo, mergulhados na incerteza e na inquietação. É a isso que se chama erraticidade; é a condição da maioria dos Espíritos que viveram na Terra, nem bons nem maus, porém ainda fracos e muito inclinados às coisas materiais.

Encontram-se na erraticidade multidões imensas, sempre agitadas, sempre em busca de um estado melhor, que lhes foge. Numerosos Espíritos aí flutuam indecisos entre o justo e o injusto, entre a verdade e o erro, entre a sombra e a luz. Outros estão sepultados no insulamento, na obscuridade, na tristeza, sempre à procura de uma benevolência, de uma simpatia que podem encontrar.

A ignorância, o egoísmo, os vícios de toda espécie reinam ainda na erraticidade, onde a matéria exerce sempre sua influência. O bem e o mal aí se chocam. É de alguma sorte o vestíbulo dos espaços luminosos, dos mundos melhores. Todos aí passam e se demoram, mas para depois se elevarem.

O ensino dos Espíritos sobre a vida de além-túmulo faz-nos saber que no espaço não há lugar algum destinado à contemplação estéril, à beatitude ociosa. Todas as regiões do espaço estão povoadas por Espíritos laboriosos. Por toda parte, bandos, enxames de almas sobem, descem, agitam-se no meio da luz ou na região das trevas. Em certos pontos, vê-se grande número de ouvintes recebendo instruções de Espíritos adiantados; em outros, formam-se grupos para festejarem os recém-vindos. Aqui, Espíritos combinam os fluidos, infundem-lhes mil formas, mil coloridos maravilhosos, preparam-nos para os delicados fins a que foram destinados pelos Espíritos superiores; ali, ajuntamentos sombrios, perturbados, reúnem-se ao redor dos globos e os acompanham em suas revoluções, influindo, assim, inconscientemente, sobre os elementos atmosféricos. Espíritos luminosos, mais velozes que o relâmpago, rompem essas massas para levarem socorro e consolação aos desgraçados que os imploram. Cada um tem o seu papel e concorre para a grande obra, na medida de seu mérito e de seu adiantamento. O Universo inteiro evolui. Como os mundos, os Espíritos prosseguem seu curso eterno, arrastados para um estado superior, entregues a ocupações diversas. Progressos a realizar, ciência a adquirir, dor a sufocar, remorsos a acalmar, amor, expiação, devotamento, sacrifício, todas essas forças, todas essas coisas os estimulam, os aguilhoam, os precipitam na obra; e, nessa imensidade sem limites, reinam incessantemente o movimento e a vida. A imobilidade e a inação é o retrocesso, é a morte. Sob o impulso da grande lei, seres e mundos, almas e sóis, tudo gravita e move-se na órbita gigantesca traçada pela vontade divina.

 

(Léon Denis - Obra: Depois da Morte).

Categoria: Espiritismo
Escrito por Jeanne às 23h20
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21/06/2008


 

 

 


Minha vida na outra vida- FILME COMPLETO
Esse filme, é a prova real da reencarnação, baseado em fatos reais.

Não precisa fazer download,  passa direto pelo Google Vídeo, vc só tem que esperar ele carregar, mas vale muito a pena!

http://video.google.com/videoplay?docid=8024879465072943702

Escrito por Jeanne às 18h55
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20/06/2008


A cada um segundo as suas obras

5. O homem compõe-se de corpo e Espírito: o Espírito é o ser principal, racional, inteligente; o corpo é o invólucro material que reveste o Espírito temporariamente, para preenchimento da sua missão na Terra e execução do trabalho necessário ao seu adiantamento. O corpo, usado, destrói-se e o Espírito sobrevive à sua destruição. Privado do Espírito, o corpo é apenas matéria inerte, qual instrumento privado da mola real de função; sem o corpo, o Espírito é

tudo: a vida, a inteligência. Em deixando o corpo, torna ao  mundo espiritual, onde paira, para depois reencarnar.

Existem, portanto, dois mundos: o corporal, composto de Espíritos encarnados; e o espiritual, formado dos Espíritos desencarnados. Os seres do mundo corporal, devido mesmo à materialidade do seu envoltório, estão ligados à  Terra ou a qualquer globo; o mundo espiritual ostenta-se  por toda parte, em redor de nós como no Espaço, sem limite algum designado. Em razão mesmo da natureza fluídica do seu envoltório, os seres que o compõem, em lugar de se  locomoverem penosamente sobre o solo, transpõem as distâncias  com a rapidez do pensamento. A morte do corpo não é mais que a ruptura dos laços que os retinham cativos.

6. Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas dotados  de aptidões para tudo conhecerem e para progredirem, em virtude do seu livre-arbítrio. Pelo progresso adquirem

novos conhecimentos, novas faculdades, novas percepções e, conseguintemente, novos gozos desconhecidos dos Espíritos inferiores; eles vêem, ouvem, sentem e compreendem o que os Espíritos atrasados não podem ver, sentir, ouvir ou compreender.

A felicidade está na razão direta do progresso realizado, de sorte que, de dois Espíritos, um pode não ser tão feliz quanto outro, unicamente por não possuir o mesmo adiantamento

intelectual e moral, sem que por isso precisem estar, cada qual, em lugar distinto. Ainda que juntos, pode um estar em trevas, enquanto que tudo resplandece para o outro, tal como um cego e um vidente que se dão as mãos: este